Alimentos ainda devem pressionar inflação em janeiro, diz IBGE
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A inflação deve manter tendência de alta em janeiro, ainda pressionada pelos alimentos, disse nesta sexta-feira a coordenadora de Índice de Preços do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eulina dos Santos. Segundo ela, o reajuste de tarifas de ônibus no Rio e Belo Horizonte, concedidos no final do ano passado, também contribuirão para a alta do índice neste mês.
"Ainda há uma tendência de alta dos alimentos verificada em dezembro. Essa pressão deve continuar. A estiagem prolongada contribuirá bastante. O feijão, por exemplo, está com o plantio atrasado", afirmou.
No prazo maior, Eulina ressalta que 2008 é um ano de atenção com os alimentos, já que os preços das commodities continuam em alta no mercado internacional. Ela lembra também que está previsto um reajuste mais alto das mensalidades escolares em fevereiro.
| Alex Almeida/Folha Imagem |
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| O preço do feijão foi o mais afetado pelo clima, com alta de 109,20% no ano passado |
Em relação a 2007, a economista explicou que as chuvas intensas do primeiro semestre, associada à seca observada na parte final do ano, foram decisivas para a alta de 10,79% dos alimentos no ano passado. É a maior alta desse grupo desde 2002, quando subiu 19,47% em relação ao ano anterior. Em 2006, a inflação dos alimentos ficou em 1,22%.
"Apesar da safra recorde, os alimentos subiram bastante. Fora a alimentação, todos os outros itens teriam contribuído para uma inflação mais baixa", observou Eulina.
Feijão
O preço do feijão foi o mais afetado pelo clima, com alta de 109,20% no ano passado. Eulina dos Santos destacou que o produto é o mais sensível às variações climáticas, e como as lavouras são, em geral pequenas, a produção é muito pulverizada.
O feijão carioca, o mais consumido no país, teve alta de 144,4% em 2007, ante crescimento de apenas 0,92% no ano anterior. O feijão mulatinho, que havia caído 5,72% em 2006, subiu 136,1% no ano passado.
A alta das carnes, que chegou a 22,15% em 2007, foi influenciada também pelo aumento do milho, que é utilizado na ração para os animais. Segundo Eulina, apesar de os Estados Unidos terem elevado de forma considerável a produção do milho, em detrimento à soja, boa parte dessa produção está sendo direcionada para o álcool.
| Diego Padgurschi/Folha Imagem |
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| Preço do leite subiu 19,79% em 2007, ano em que foram descobertas fraudes no produto |
"Com isso, os Estados Unidos não estão exportando tanto, e há falta de oferta, o que vem pressionado os preços do milho em todo o mundo", comentou.
Leite
O item leite e derivados, que começou a subir em maio, teve alta de 19,79% no ano, influenciada pela seca na Austrália, um dos principais produtores mundiais. Com isso, o Brasil elevou suas exportações, acarretando menor oferta no mercado interno, que acabou pressionado pelo aumento da demanda, devido à maior renda do brasileiro.
No primeiro trimestre, a inflação foi de 1,26%; nos três mese seguintes, ficou em 0,81%; de julho a setembro, foi a 0,89%; e no quarto trimestre, chegou a 1,43%.
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