Citigroup tem perda de US$ 9,83 bi no 4º trimestre, com crise de crédito
da Folha Online
Atualizado às 11h40
O gigante financeiro americano Citigroup anunciou nesta terça-feira que registrou um prejuízo líquido de US$ 9,83 bilhões (perda de US$ 1,99 por ação) no quarto trimestre. Segundo o banco o desempenho fraco se deveu a perdas de US$ 18,1 bilhões ligadas a créditos de risco.
No quarto trimestre de 2006, o banco havia registrado um lucro de US$ 5,13 bilhões (US$ 1,03 por ação).
A receita do banco teve queda de 70% no quarto trimestre do ano passado, para US$ 7,22 bilhões, contra US$ 23, 83 bilhões no mesmo período um ano antes. A expectativa dos analistas era de uma perda de mais de US$ 20 bilhões no mercado de créditos de risco no último trimestre de 2007.
O banco informou ainda que irá efetuar um corte de 41% nos dividendos a fim de manter recursos em sua base de capital.
O Citi vinha afirmando que iria manter o pagamento integral de dividendos. O banco anunciou que obteve um investimento de US$ 12,5 bilhões de investidores estrangeiros, incluindo um de US$ 6,88 bilhões do GIC (Corporação de Investimento do governo de Cingapura, na sigla em inglês).
"Nossos resultados no trimestre são claramente inaceitáveis", disse o novo executivo-chefe do Citi, Vikrim Pandit. "Nosso desempenho fraco se deveu principalmente a dois fatores: reduções significativas de valores de ativos com nossa exposição direta aos 'subprimes' [créditos de risco] e um forte aumento nos custos de crédito em nossa carteira de empréstimos ao consumidor nos EUA."
Pandit assumiu o cargo há cerca de um mês, substituindo Charles "Chuck" Prince, que deixou o cargo em novembro devido às perdas com os créditos de risco.
Ontem a rede americana de TV CNBC informou que o banco iria anunciar um corte de 17 mil a 24 mil empregos ao longo deste ano com as perdas causadas pela crise. A rede também previa que o banco iria anunciar uma redução de US$ 24 bilhões nos valores dos papéis ligados aos créditos "subprime".
O Citi sofreu ainda outro golpe: o governo chinês rejeitou que o banco de fomento chinês China Development Bank --que opera o fundo soberano do país-- investisse no banco.
O Citigroup --o maior banco americano por ativos-- busca em fundos do Sudeste Asiático e do Oriente Médio a injeção de dinheiro necessária para poder aliviar as perdas causadas pela crise. Segundo fontes ouvidas pelo diário americano "The Wall Street Journal", o plano de investimento --que previa injeção de US$ 2 bilhões-- já estava em negociação há semanas, e só agora o governo chinês preferiu recuar.
O banco já recebeu em novembro uma injeção de US$ 7,5 bilhões do fundo Abu Dhabi Investment Authority, dos Emirados Árabes Unidos. A expectativa do Citigroup, segundo o jornal, é que ainda é necessário captar US$ 10 bilhões para cobrir as perdas com os créditos "subprime".
Leia mais
- Citigroup vai anunciar perdas de US$ 24 bi com crédito subprime
- Fundo chinês rejeita injetar recursos no Citigroup
- Citigroup e Merrill Lynch negociam novas injeções de capital estrangeiro
- Citigroup reorganiza departamento de hipotecas
- Citigroup recebe oferta de compra feita pelo Bank of America, diz jornal
- Crise do crédito subprime derruba CEO do Citigroup
Especial

