Hong Kong tem a economia mais livre do mundo; Brasil fica em 101º
da Folha Online
Hong Kong é a economia mais livre do mundo pelo 14º ano consecutivo, na frente de Cingapura, segundo estudo divulgado nesta terça-feira pelo centro de análises "The Heritage Foundation".
O Brasil aparece na 101ª posição, com 55,9% de liberdade econômica, que o coloca em um intervalo classificado como "relativamente não-livre". Quanto mais alta a pontuação, menor o nível de interferência do governo na economia.
A corrupção e as relações de trabalho foram os fatores que mais ajudaram a reduzir o conceito do país em 2007, segundo a fundação. "Os impostos sobre pessoa física e jurídica são um fardo", diz o relatório.
Entre as dez categorias avaliadas, o país teve a menor pontuação no item corrupção (37%), e o maior, em governo (88,8%). O item trabalho apontou 63,8% de liberdade. A Heritage Foundation diz que corrupção ela está presente em licitações públicas e também em tribunais das instâncias menores, e isso pode desencorajar investimentos.
Entre os países da América Latina, o Chile aparece em oitavo lugar na lista mundial de economias abertas, à frente da Suíça e Reino Unido.
Nas Américas, os Estados Unidos lideram a lista dos países de maior abertura econômica, mas reduziram em 0,3 ponto percentual em relação a 2006, a 82% em 2007. Na seqüência, aparecem Canada, Chile, Trinidad e Tobago, Bahamas, Barbados, El Salvador, Uruguai, Jamaica e Panamá --os dez primeiros da lista do continente.
Nesta segmentação, o Brasil aparece em 17ª posição. Entre os países com economias ainda mais fechadas que o Brasil surgem Colômbia, Honduras, Guiana, Argentina, Paraguai, República Dominicana, Equador e Bolívia, Suriname, Haiti, Venezuela e Cuba.
Segundo o estudo, a América é uma das regiões mais diversas e enigmáticas economicamente. "A região compreende desde a superpotência dos Estados Unidos e o emergente Brasil até as pequenas ilhas do Caribe e as nações mais pobres da América Central", aponta.
O Índice de Liberdade Econômica 2008, do "The Heritage Foundation", instituição de caráter conservador, tem cinco classificações: livre, relativamente livre, moderadamente livre, relativamente não-livre, fechado. O estudo avalia 157 países e territórios (veja lista completa).
Críticas
O primeiro lugar do ranking de Hong Kong esbarra, no entanto, nas críticas de que sua economia é dominada por um punhado de monopólios e cartéis em mãos de famílias, que não apenas controlam os preços de produtos específicos, como também bloqueiam seus concorrentes em termos de acesso ao mercado.
A pontuação total de Hong Kong se reduziu em 0,3 ponto percentual, a 90,3%, de um total de cem, enquanto que o de Cingapura melhorou em 0,2 ponto percentual, a 87,4% de liberdade na economia.
Hong Kong teve uma pontuação melhor do que Cingapura em quatro das dez categorias --liberdade comercial, fiscal, de investimento e financeira. Cingapura teve uma pontuação melhor em liberdade empresarial, monetária e trabalhista, assim como no quesito governo e corrupção. Ambos tiveram a mesma pontuação em termos de direitos de propriedade intelectual.
Depois de Hong Kong e Cingapura, a fundação indicou a Irlanda como a terceira economia mais livre do mundo, seguida pela Austrália (4ª), Estados Unidos (5ª), Nova Zelândia (6ª), Canadá (7ª), Chile (8ª), Suíça (9ª) e o Reino Unido (10ª).
A Coréia do Norte é o país com maior repressão econômica, informa a fundação, antecedido, no final da lista por Cuba, Zimbábue e Líbia.
com France Presse, em Hong Kong
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