Taxas de juros têm redução em dezembro, aponta Anefac
da Folha Online
As taxas de juros média de todos os principais tipos de crédito para consumidores e pessoas jurídicas caíram em dezembro de 2007 ante novembro, segundo pesquisa realizada pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). A única linha de crédito que não teve juros em queda no mês foi a do cartão de crédito rotativo, que permaneceu inalterado em 10,34% mensais.
Tirando o cartão de crédito, os outros cinco tipos de crédito para pessoa física analisados (juros do comércio, cheque especial, financiamento de veículos, empréstimo pessoal bancário e empréstimo pessoal de financeiras) tiveram juros menores. O mais alto continua sendo o empréstimo pessoal de financeiras --taxa média de 11,07% ao mês-- e o mais baixo no financiamento de veículos --2,96%.
Com isso, a taxa de juros média para pessoa física caiu 0,05 pontos percentuais em dezembro, passando para 7,21% ao mês (ou 129,81% ao ano). Segundo a Anefac, trata-se da menor taxa média da série histórica.
Todas as quatro principais linhas de crédito para pessoa jurídica (capital de giro, desconto de duplicatas, desconto de cheques e conta garantida) também tiveram taxas de juros menores em dezembro. Na média houve queda de 0,05 pontos percentuais, passando para 4,05% ao mês (ou 61,03% ao ano) em dezembro.
No crédito para pessoa jurídica, a conta garantida --espécie de cheque especial para empresas-- tem o juro mais alto, a 5,35% ao mês. O mais barato foi o desconto de duplicatas (3,36% ao mês).
2008
Para o vice-presidente da Anefac, Miguel de Oliveira, as taxas de juros devem voltar a subir em 2008. "Inicialmente estávamos projetando novas reduções da taxa básica de juros bem como da redução das taxas de juros das operações de crédito. Porém tendo em vista algumas mudanças ocorridas poderemos ter em 2008 novas elevações das taxas de juros ao consumidor", disse.
Entre estas mudanças, as mais importantes são o aumento das alíquotas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para quase todas as linhas de crédito e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para os bancos. O primeiro tributo incide diretamente sobre o crédito, então deve trazer efeito imediato às taxas de juros. Já o segundo terá efeito indireto, pois deve ser repassado pelos bancos.
Outro fator de pessimismo para as taxas de juros do crédito é o fim das quedas da Selic --taxa básica de juros brasileira.
Os juros praticados pelos bancos normalmente seguem as tendências observadas na Selic, embora a pesquisa da Anefac mostre que os bancos não repassam integralmente as quedas desta para as taxas praticadas por eles. Em 2007, por exemplo, a Selic caiu 43,04%, enquanto que os juros médios para pessoa física caíram 8,01% e o de pessoa física, 10,55%.
Mesmo com a possibilidade de alta, Miguel de Oliveira acredita que o volume de crédito cedido deve ter alta de 25% no ano --em especial as linhas de crédito para financiamento habitacional, financiamento de veículos e crédito consignado.
Leia mais
- Após período de estabilidade, juros bancários começam 2008 em alta
- Fundos ligados a juros têm recuo histórico em 2007
- Volume de falências registra queda em 2007, aponta Serasa
- Crédito para casa própria com recurso da poupança deve somar R$ 25 bi
- Crédito com desconto em folha representa 57% do total
Especial


