Investimento feito pela indústria já alivia pressão da demanda, diz CNI
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A indústria de transformação deverá conseguir atender o aumento da demanda causada pelo crescimento da economia. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) não trabalha com a hipótese de pressões por acreditar que os investimentos feitos no ano passado já se traduziram em maior capacidade de produção em 2008.
"O cenário é de razoável tranqüilidade no atendimento da demanda industrial", afirmou Flávio Castelo Branco, da Unidade de Política Econômica da CNI.
A utilização da capacidade instalada (UCI) subiu, no índice original, para 83,9% em novembro, ante 82,3% em novembro de 2006. Na comparação com outubro de 2007, em que a utilização era de 84,3%, houve uma queda. A UCI dessazonalizada ficou em 82,9%, contra 82,8% em outubro e 81,3% em novembro de 2006.
capacidade instalada reflete qual quantidade de produtos que uma indústria é capaz de fabricar com as máquinas e unidades que tem. Quanto menor o uso, maior a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar aumento nos preços.
Segundo Castelo Branco, nesse ano as empresas irão começar a produzir em novas fábricas. Essa maturação dos investimentos fará com que o setor fique com uma maior capacidade instalada e possa atender a aumentos de demanda.
A capacidade de atender a demanda irá contribuir para o ritmo de crescimento das vendas reais (descontada a inflação) do setor.
Em novembro, as vendas cresceram 0,7% (dado dessazonalizado) na comparação com outubro e 6,8% na comparação com o mesmo mês de 2006. No acumulado de 2007 até novembro, a expansão é de 5,1%.
A CNI acredita que o desempenho ficará próximo ao registrado em 2004, que foi de 5,4% --o melhor ano da indústria. A expectativa é que o mesmo se repita em 2008.
Entretanto, apesar de ter traçado um cenário o cenário positivo para esse ano, a CNI ressalta que alguns fatores podem atrapalhar a manutenção desse ritmo de crescimento.
"O ano de 2008 começa muito bem. Se não houver contratempo, o ritmo de 5% de crescimento continua, mas há alguns senões", ressaltou Paulo Mol, também da CNI.
Entre os senões destacados por ele estão a inflação (alimentos e commodities) e as incertezas em relação à economia dos Estados Unidos.
Leia mais
- Produção da indústria em SP deve crescer 0,2% em dezembro, diz FGV
- Emprego na indústria cresce pelo quinto mês consecutivo em novembro
- Produção industrial de SP tem 1ª queda desde janeiro de 2007
- Livros da "Biblioteca Valor" discutem política industrial
Especial

