"Efeito calendário" deixa produção industrial mais volátil, diz CNI
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Os feriados prolongados concentrados no segundo semestre ajudam a explicar a volatilidade da produção industrial em 2007. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), as variações mensais são menos precisas para apontar mudanças significativas no dinamismo da atividade econômica.
"As flutuações observadas nas variações mensais dos indicadores de produção industrial não parecem, portanto, ser causadas por alterações significativas do dinamismo na atividade industrial. Essa volatilidade pode estar mais associada a fatores extemporâneos, em que se destaca o efeito calendário", explica um estudo da CNI.
É esse efeito calendário que explica o recuo de alguns indicadores em novembro.
As horas trabalhadas na produção tiveram um recuo de 0,5% em novembro na comparação com outubro e o nível de pessoal empregado, uma queda de 0,1%.
Para a CNI, essas variações são conseqüência do efeito calendário, e não uma perda de ritmo da atividade econômica. Isso porque novembro contou com um menor número de dias úteis na comparação com outubro.
Na avaliação de Flavio Castelo Branco, da Unidade de Política Econômica da CNI, dias não trabalhados têm um maior impacto na produção quando há um processo de aquecimento da atividade econômica.
"Um dia de trabalho em ritmo de crescimento elevado faz diferença porque o nível de ociosidade [na indústria] é muito baixo", explicou.
Em setembro, alguns indicadores já haviam recuado na comparação com o mês anterior devido ao mesmo positivo. O que deve se repetir também no resultado de dezembro.
No entanto, a CNI acredita que o primeiro mês do ano irá revelar resultados positivos quando comparado ao mês de dezembro. Isso porque não há feriados nacionais em janeiro.
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