Ministério da Justiça recomenda venda da marca Cintra pela Ambev
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, recomendou nesta terça-feira ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) que aprove a compra dos ativos da Cintra pela Ambev, mas determine a venda da marca e da rede de distribuição da empresa.
Em março do ano passado, a Ambev anunciou a compra de duas fábricas na Cintra por US$ 150 milhões e informou que o restante dos ativos, entre eles a marca, poderiam ser adquiridos posteriormente. De acordo com a SDE, a operação foi concluída em novembro.
Segundo o parecer da secretaria, "a aquisição das marcas leva à supressão de um concorrente pela empresa líder absoluta de mercado". O documento pede que a Ambev venda a marca e a rede de distribuição por preço de mercado e em tempo a ser determinado pelo Cade a uma empresa capaz de se tornar um "concorrente regional viável'.
"É indispensável para a manutenção do nível de concorrência no mercado a permanência da marca Cintra como concorrente efetivo e independente das marcas do grupo Ambev", afirma o parecer.
Segundo o documento, a Cintra tem 2,03% do mercado de cervejas do Sudeste enquanto as marcas da Ambev --entre elas Skol, Antártica e Brahma-- detêm 71,2% na região. Durante o processo, a Ambev justificou que a compra das instalações industriais da Cintra foi motivada pelo crescimento da demanda no Sudeste.
No ano passado, a Ambev assinou com o Cade acordo em que se comprometia a manter as operações da Cintra separadas e nas mesmas condições até o julgamento da operação pelo conselho.
Procurada, a Ambev disse que só se pronunciará depois do julgamento do processo pelo Cade. A SDE e a Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico), do Ministério da Fazenda, são responsáveis por instruir o Cade em processos de fusão e aquisição de empresas, mas a decisão final é do conselho, que pode não seguir a recomendação das secretarias.
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