Mantega descarta medidas imediatas para compensar crise nos EUA
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avalia que o Brasil não precisará tomar nenhuma medida para compensar uma possível desaceleração da economia norte-americana. No entanto, admitiu que o momento exige "atenção".
"Não vejo necessidade de nenhuma medida porque o Brasil está bem posicionado no cenário mundial", afirmou nesta quarta-feira.
Na avaliação do ministro, mesmo com um arrefecimento na economia mundial, o mercado interno tem condições de sustentar a expansão do PIB (Produto Interno Bruto). Ele mantém a aposta em um crescimento em torno de 5% em 2008.
Para Mantega, uma desaceleração já era esperada, mas que por enquanto ela está restrita ao setor financeiro. "Vamos esperar o balanço das empresas em 2007 para ver o tamanho do rombo."
Acrescentou ainda que os países emergentes são o que têm estimulado o consumo das principais commodities, e por isso há uma elevação dos preços mundiais.
Recessão
O ministro não classifica ainda o atual período da economia norte-americana como uma recessão, apenas desaceleração. Para que seja configurado uma recessão, ele diz que esse quadro deveria perdurar por três trimestres.
Embora não acredite em recessão, Mantega afirmou que a economia mundial está em um "momento de atenção" e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu atenção para a evolução desse quadro e, se houver necessidade, autorizou a tomada de medidas para evitar que a economia brasileira seja afetada.
O ministro antecipou para hoje o seu retorno das férias. Elas tiveram início no dia 7 e estava programadas para durar até o final de semana. De acordo com Mantega, a decisão para encurtar o período de descanso foi tomada após o presidente Lula ter decidido cancelar suas férias. O ministro irá compensar esses dias no Carnaval.
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