Dinheiro
16/01/2008 - 12h24

Vendas do comércio em 2007 têm melhores resultados da década

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O desempenho do comércio em 2007, de janeiro a novembro (crescimento de 9,7%), vem sendo o melhor desde o início da série histórica, em 2001. Mesmo que as vendas de dezembro não correspondam às expectativas e façam com que o resultado do ano passado seja pior do que o de 2004 (alta de 9,3%), o economista do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Nilo Lopes de Macedo lembrou que a base de comparação de 2004 era bem mais fraca do que a de 2007.

"Em 2004, o comércio teve uma expansão forte depois de uma queda de 3,7% no ano anterior. No ano passado, o crescimento vem sendo constatado depois de três altas seguidas. Em 2006, o comércio já havia superado o resultado de 2005. O resultado de 2007 vem sendo ainda melhor", explicou.

Ao avaliar o cenário para dezembro, Macedo declarou que a estimativa para o período é uma incógnita. Ele disse que em 2006, o desempenho do comércio no último mês do ano não teve desempenho espetacular que fora verificado nos anos anteriores.

Ainda em relação ao desempenho do ano passado,o economista disse que o aumento do crédito, aliado ao dólar mais fraco, tiveram forte efeito no resultado positivo que vem sendo verificado. Macedo observou que os bens duráveis, como eletroeletrônicos,tiveram preços mais baixos, influenciados pela maior importação, que acirrou a competitividade interna. As vendas desses produtos cresceram 16%, de janeiro a novembro.

Outra causa para o resultado é o aumento de renda da classe mais pobre, em boa parte impulsionada pelo Bolsa-Família. Nilo Lopes de Macedo acrescentou que, em um primeiro momento, imaginava-se que a renda do Bolsa-Família seria direcionada para a compra de alimentos. O que tem sido verificado é que está sendo dispersada entre mais setores.

De janeiro a novembro, o maior crescimento foi verificado nas vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que teve expansão de 27,9%. Também apresentaram incremento significativo no período, veículos e motos, partes e peças (23,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico [engloba lojas de departamento, ótica, joalheria, brinquedos], com alta de 22,4%.

"A estabilidade político-econômica é fundamental para a o aumento da venda de setores importantes da economia, como o automobilístico. Ninguém vai fazer compras no longo prazo se não tiver a confiança de que vai manter o emprego", afirmou.

Ao comentar o crescimento de 1,6% do comércio varejista em novembro, na comparação com outubro, Macedo lembrou que essa alta pode estar relacionada a um movimento de antecipação da compras para o Natal. A antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas pode ter sido um dos fatores, já que foi verificada alta de 1,4% em novembro na venda de móveis e eletrodomésticos.

 

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