Meirelles diz que Brasil está tranqüilo, mas monitora crise nos EUA
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou hoje a necessidade do Brasil de adotar "medidas de impacto imediato" para conter as turbulências nos mercados. Ele disse, no entanto, que o Brasil pode necessitar de medidas que possam manter a estabilidade do mercado.
"Estamos avaliando com bastante atenção, mas não há ainda nenhuma necessidade específica [a ser tomada]. O mercado brasileiro está líquido e não tem enfrentado problemas de outros países e suas moedas locais. Portanto, não vemos necessidade de medidas pontuais nesta área", afirmou o presidente do BC.
As declarações de Meirelles comentam afirmação feita hoje pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), que avaliou que o Brasil não precisará tomar nenhuma medida para compensar uma possível desaceleração da economia norte-americana.
"O Brasil pode precisar de medidas como aquelas que tem sido implementadas nos últimos anos, que façam com que a economia continue a funcionar com estabilidade, para que possamos evitar crise no mercado financeiro ou de liquidez ou que possam prejudicar o crescimento econômico", afirmou.
Meirelles voltou a afirmar que o Brasil está preparado para enfrentar a crise de crédito nos EUA, mas condicionou o crescimento do Brasil em 2008 na ordem de 5% em como o cenário atual vai se desenvolver.
"O Brasil está menos dependente dos mercados internacionais. Mas evidentemente que os EUA são a maior economia e se eles tiverem problemas graves, isso não é bom para ninguém, nem para o Brasil".
Para o presidente do Banco Central, a situação é propícia ao aprendizado. "Temos de olhar em frente e aprender com as lições de outros países, principalmente com lições que podem ter levado a certos exageros na concessão de crédito", disse. "Não há nenhum tipo de emergência. O Brasil está preparado. Mas devemos aprender."
Ontem, o banco americano Citigroup anunciou prejuízo líquido de US$ 9,83 bilhões (perda de US$ 1,99 por ação) no quarto trimestre. Segundo a instituição, o desempenho foi afetado pelas perdas de US$ 18,1 bilhões ligadas a créditos de risco. Os resultados abalaram as Bolsas no mundo todo na terça-feira e continuam a interferir hoje.
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