Economia dos EUA perdeu força com consumo menor no fim de 2007, diz Fed
da Folha Online
Atualizado às 17h39
A economia dos EUA perdeu força no fim do ano passado, com a queda nos gastos dos consumidores americanos e com a queda na demanda por automóveis e artigos como móveis e eletrodomésticos, segundo o "Livro Bege" (documento baseado em dados coletados em suas 12 divisões regionais), divulgado nesta quarta-feira.
Segundo o documento, os consumidores estão mais cautelosos, diante de um cenário em que a obtenção de crédito está mais difícil, devido à crise que fez com que os bancos aumentassem as restrições a concessão de financiamentos e à queda nos preços dos imóveis, aumentando a insegurança entre os americanos quanto a sua renda.
No período em que foram coletados os dados para o levantamento do Fed --de meados de novembro e por todo o mês de dezembro--, a economia manteve algum ritmo de crescimento, "mas em ritmo mais lento" que o verificado no "Livro Bege" anterior. Os problemas no mercado de crédito nos EUA acompanharam o declínio no mercado imobiliário.
O documento informa que as vendas na temporada de fim de ano no varejo "foram, no geral, desapontadoras" --o que ficou mostrado na queda de 0,4% nas vendas no varejo nos EUA em dezembro, segundo dados divulgados ontem pelo Departamento do Comércio.
O documento do Fed mostrou que, na avaliação do setor varejista, 2008 será um ano para se manter a cautela.
No setor imobiliário, as avaliações coletadas pelo Fed também foram negativas. "As condições no mercado de imóveis residenciais continuaram bastante fracas" em todos os distritos das divisões do Fed. O ritmo das vendas de casas continuou lento e os estoques ainda estão em níveis altos para padrões históricos.
A perspectiva para o primeiro semestre de 2008 é que o mercado imobiliário continue com desempenho fraco.
O setor manufatureiro apresentou "atividade bastante fraca" no segmento de artigos domésticos e na indústria automobilística.
O setor imobiliário também sofreu no território do mercado de trabalho: a demanda por trabalhadores no setor de construção no segmento residencial continuou a cair --apesar de, em outros segmentos, ter registrado atividade mais consistente.
O documento ainda mostra um aumento "moderado" dos custos trabalhistas --o que foi visto como sinal de que os aumentos salariais dos americanos não estão acelerados ao ponto de provocar pressões inflacionárias. O Fed destacou, no entanto, que os aumentos de energia e alimentos vêm pressionando as margens de lucros das empresas --que, em alguns casos, repassaram esses custos maiores para os consumidores.
O "Livro Bege" é divulgado cerca de duas semanas antes da reunião de política monetária do Fed. A próxima está programada para os dias 29 e 30 deste mês.
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