Crise nos mercados globais paralisa novos negócios no país
TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo
A tempestade nos mercados financeiros deste início de janeiro teve como conseqüência a paralisação de negócios como aberturas de capital, fusões e aquisições, emissão de dívida privada e até mesmo o fechamento de contratos de comércio exterior, segundo profissionais do mercado.
Na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) estão paradas 26 ofertas de ações, entre elas as de empresas como a rede de farmácias Droga Raia, a seguradora Marítima e a locadora de automóveis Unidas. Nenhuma empresa lançou novas ações na Bovespa em 2008. A única oferta de ações agendada é da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), que já tem papéis negociados na Bolsa.
Entre as fusões e aquisições, os únicos negócios fechados foram no setor de moda, que estavam para sair no final do ano passado, segundo consultores.
"Não há susto. O Brasil é que acompanhou de uma forma muito distante o que acontecia na economia americana. As empresas estão preparadas e aguardando a ação dos bancos centrais, que não vão permitir reações mais agudas nas economias. Devem cortar juros e dar mais liquidez ao mercado. Alguma turbulência vai permanecer por mais algum tempo, mas o Fed [banco central dos EUA] entendeu que desemprego deve ser combatido como a inflação", disse João Sicsú, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Para o advogado Eduardo Matias, da L.O. Baptista Advogados, especialista em direito empresarial e comércio exterior, o susto de janeiro teve pouco impacto nos negócios que já estavam em andamento, mas paralisou o lançamento de novos projetos. "O momento de apreensão é justificado. Existe um pânico natural do investidor e a espera é um reflexo natural da crise nos mercados globalizados. A propagação é muito rápida. As pessoas antecipam movimentos e pensam em segurar investimentos temendo um efeito dominó."
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