Fed defende plano temporário de retomada da atividade econômica
da Folha Online
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, defendeu nesta quinta-feira um plano temporário para a retomada imediata do ritmo da economia norte-americana ante o perigo de uma recessão. Ele advertiu para os riscos de "deslizes" em caso de iniciativas orçamentárias mal concebidas.
Bernanke reiterou que o Fed está pronto para realizar cortes "substanciais" de juros se necessário a fim de evitar que o país caia em recessão.
O presidente do Fed disse que aprova a idéia de um pacote de estímulo fiscal, desde que seja "implementado com atenção e estruturado de forma que seus efeitos sobre os gastos agregados sejam sentidos o máximo possível nos próximos 12 meses ou por volta disso".
| Ted S. Warren/AP |
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| Ben Bernanke, presidente do Fed |
"Concordo que uma ação fiscal pode ser útil em princípio, na medida em que estímulos fiscais e monetários juntos podem oferecer um apoio mais amplo para a economia do que apenas as políticas monetárias", afirmou.
O pacote, no entanto, tem de ser "explicitamente temporário", uma vez que os EUA estão diante de "desafios difíceis para o Orçamento no longo prazo, associados ao envelhecimento da população, aumentos nos custos dos seguros de saúde e outros fatores".
Ele voltou a afirmar a disposição do Fed em agir "de modo oportuno e decisivo" para conter os efeitos da crise que possam ameaçar a estabilidade econômica ou financeira.
O Fed deve se reunir nos próximos dias 29 e 30 para decidir sobre sua taxa de juros. A expectativa entre economistas e investidores é de que o banco irá reduzir mais uma vez os juros, hoje em 4,25% ao ano. Em 2007 o Fed cortou a taxa em três ocasiões consecutivas --setembro (0,50 ponto percentual); outubro (0,25 ponto percentual); e dezembro (0,25 ponto percentual).
O mercado imobiliário, disse Bernanke, provavelmente subtraiu mais de um ponto percentual no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no quarto trimestre do ano passado "e pode puxar para baixo o crescimento por boa parte deste ano também".
Ontem o Fed divulgou o "Livro Bege" (documento baseado em dados coletados em suas 12 divisões regionais), no qual apontou uma perda de força da economia no fim do ano passado, com a queda nos gastos dos consumidores americanos e com a queda na demanda por automóveis e artigos como móveis e eletrodomésticos.
O documento afirma que a economia manteve algum ritmo de crescimento, 'mas em ritmo mais lento' que o verificado no 'Livro Bege' anterior.
Inflação
Bernanke disse que o Fed ainda mantém suas atenções voltadas para o comportamento da inflação no país, bem como para as expectativas de inflação. Ele destacou que o núcleo dos preços ao consumidor (que exclui os preços de alimentos e energia) "ganhou impulso recentemente" devido aos efeitos da alta da energia repassados pelos produtores, a queda do dólar diante de outras moedas e aos preços mais altos de serviços financeiros e médicos.
O núcleo dos preços ao consumidor registrou alta de 2,4% em 2007, acima da margem considerada adequada pelo Fed, entre 1% e 2%. O índice geral teve alta de 4,1%.
Bernanke afirmou, no entanto, que os indicadores de preços neste ano e no próximo devem recuar para patamares mais moderados.
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