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Dinheiro
17/01/2008 - 16h09

Turbulências continuam no 1º semestre, mas país está preparado, diz Mantega

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Guido Mantega (Fazenda) vê com naturalidade a saída de capitais do país e acredita que novos períodos de turbulência nos mercados internacionais vão acontecer ao longo do primeiro semestre. Ele reafirmou, no entanto, que a economia brasileira está preparada para enfrentar essas oscilações.

"Temos uma desaceleração da economia norte-americana e talvez uma recessão. É natural que ocorra alguma evasão de recursos. (...) É normal. Nós continuaremos tendo alguma turbulência ao longo desse primeiro semestre. Oscilações', afirmou o ministro nesta quinta-feira.

Ontem, o Banco Central anunciou que a saída de dólares do país superou as entradas em US$ 2,180 bilhões nos primeiros oito dias úteis de janeiro. Só da conta financeira, a evasão chegou a US$ 3,495 bilhões.

Para Mantega, o movimento é natural e a economia brasileira tem os quatro fundamentos para que o Brasil consiga enfrentar essa crise. São eles: equilíbrio fiscal com a manutenção do superávit primário, inflação sob controle, vulnerabilidade externa reduzida e atividade econômica aquecida.

"O Brasil hoje está cultivando os quatro fundamentos que permitem passar por essa crise. (...) São antídotos que temos para enfrentar essa crise."

Segundo ele, a turbulência dos últimos dias é resultado da divulgação das perdas dos bancos com os créditos "subprimes" (de alto risco) e que essas perdas já eram esperadas.

Fiscal

O ministro voltou a afirmar que a meta de superávit primário --de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto)-- não será alterada, e que, para isso, o governo executará os cortes de R$ 20 bilhões no Orçamento para compensar o fim da arrecadação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

Sobre a inflação, Mantega disse que, embora os preços dos alimentos tenham subido, não é um fator preocupante porque a inflação no Brasil continua abaixo de outros emergentes, como China, Rússia e Índia.

Essas razões, aliada às reservas internacionais de quase US$ 185 bilhões e à demanda interna aquecida, fazem o ministro esperar um crescimento de ao menos 5% em 2008. Para ele, o PIB (Produto Interno Bruto) teve uma expansão de 5,3% no ano passado.

 

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