Cidadãos norte-americanos esperam recessão para este ano, diz pequisa
da Folha Online
A economia dos EUA já entrou em recessão ou deverá entrar em algum momento deste ano, segundo pesquisa de opinião da revista americana "Fortune" feita nesta semana e divulgada nesta sexta-feira.
Segundo a pesquisa, 19% dos entrevistados disseram que a economia já está em recessão, enquanto 57% afirmam que a economia irá entrar em recessão em algum momento neste ano. Apenas 19% disseram que a economia americanos conseguirá evitar uma recessão.
Cerca de metade dos entrevistados disseram também que já passaram a cortar gastos, o que foi visto como mau sinal para a economia --o Federal Reserve (Fed, o BC americano) efetou três cortes de juros no ano passado e deve manter a política de cortes neste ano justamente a fim de estimular o consumo.
"Os resultados [da pesquisa] são bastante chocantes", disse o co-diretor do CEPR (Centro de Pesquisa Econômica e Política, na sigla em inglês), Dean Baker. Segundo ele, se as opiniões dos americanos são as refletidas na pesquisa, isso pode levar a uma queda ainda mais acentuada na economia do que os economistas prevêem.
"O consumo tem sido a sustentação da economia", disse Baker. "Eu me espantei com o bom desempenho diante do declínio no mercado imobiliário. Mas parece que estamos chegando ao fim desse desempenho."
"Se os consumidores preocupados com a recessão passarem a reduzir seus gastos, isso vai se tornar uma profecia auto-realizável", disse o diretor de pesquisa econômica da Argus Research, Rich Yamarone.
Em entrevista do diário americano "The Wall Street Journal", o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan disse que os EUA já estão ou provavelmente irão entrar em breve em uma recessão.
"Os sintomas estão claramente aí. Recessões não chegam de modo suave. Elas em geral são anunciadas por uma descontinuidade no mercado, e os dados das últimas semanas podem muito bem ser caracterizados assim", disse. Para ele, as chances de que o país caia em recessão ainda estão por volta de 50%.
Questionados sobre suas condições econômicos nos últimos 12 meses, cerca de quatro de cada dez entrevistados disseram estar em pior situação hoje, na comparação com um ano atrás, diz a pesquisa; 15% dos entrevistados disseram estar em atrasos com os pagamentos de suas faturas de cartão de crédito, enquanto outros 9% afirmaram estar com problemas para pagarem suas hipotecas ou aluguéis.
Um em cada quatro dos entrevistados afirmou estar "muito preocupado" com a possibilidade de perder o emprego nos próximos 12 meses. A taxa de desemprego nos EUA subiu para 5% em dezembro, contra 4,7% um mês antes.
Com respeito aos temas a serem abordados pelos pré-candidatos à eleição presidencial no país, 87% disseram que a economia é "extremamente ou muito importante" e 47% disseram que a crise imobiliária no país é o item isolado de maior peso para uma recessão.
A pesquisa ouviu 1.000 pessoas entre segunda e quarta-feira desta semana. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos e foi conduzida para a "Fortune" pela empresa de pesquisas SRBI Public Affairs Center.
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