Publicidade

Dinheiro
18/01/2008 - 14h50

Bush pede pacote de isenção fiscal de US$ 145 bi para conter crise nos EUA

Publicidade

da Folha Online

Atualizado às 16h15

O presidente norte-americano, George W. Bush, pediu nesta sexta-feira um pacote de isenção fiscal de cerca de US$ 145 bilhões para estimular a economia dos Estados Unidos e evitar que o país caia em uma recessão. Para que tal medida seja efetiva, Bush disse que o pacote de estímulo à economia precisa representar cerca de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA --segundo dados recentes, isso representaria os US$ 145 bilhões.

O medo de que a maior economia do planeta entre em recessão e os reflexos afetem as economias globais tem derrubado os principais mercados ao redor do planeta. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) já acumula desvalorização de 10,72% no ano, ficando na casa dos 57 mil pontos, em seu mais baixo patamar em quase quatro meses --hoje, opera instável. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones registra perdas de 8,33% em 2008.

Segundo discurso feito por Bush, o plano de isenção incluiria benefícios para empresas e para as pessoas físicas. "Ao aprovar um pacote efetivo de crescimento, daremos uma injeção na veia para manter um crescimento econômico fundamentalmente saudável", afirmou em pronunciamento. "Deixar que os americanos fiquem com mais de seu dinheiro deve fazer crescer os gastos com consumo."

O presidente disse ainda que o Congresso precisa trabalhar o mais rápido possível para enviar a ele propostas que "mantenham a economia crescendo e criando empregos". Ele não detalhou o pacote, apenas expôs princípios para orientar a preparação das medidas.

Bush afirmou que seus conselheiros acreditam que a economia pode continuar a crescer, mas que há um risco de desaceleração. "Nossa economia tem uma base sólida, mas... há áreas de preocupação real."

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, por sua vez, adiantou que a maior parte do pacote deverá ter o consumidor como alvo principal. Além disso, o pacote poderá estimular a criação de 500 mil empregos, segundo ele.

Para ele, qualquer pacote de estímulo precisará ser simples e ser adotado rapidamente, para que sua aprovação pelo Congresso seja acelerada.

Fed e juros

Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, defendeu a idéia de um plano temporário para a retomada imediata do ritmo da economia norte-americana ante o perigo de uma recessão.

Bernanke disse que aprova a idéia de um pacote de estímulo fiscal, desde que seja "implementado com atenção e estruturado de forma que seus efeitos sobre os gastos agregados sejam sentidos o máximo possível nos próximos 12 meses ou por volta disso".

"Concordo que uma ação fiscal pode ser útil em princípio, na medida em que estímulos fiscais e monetários juntos podem oferecer um apoio mais amplo para a economia do que apenas as políticas monetárias", afirmou.

Segundo ele, o pacote, no entanto, tem de ser "explicitamente temporário", uma vez que os EUA estão diante de "desafios difíceis para o Orçamento no longo prazo, associados ao envelhecimento da população, aumentos nos custos dos seguros de saúde e outros fatores".

Em 2007 o Fed cortou a taxa em três ocasiões consecutivas --setembro (0,50 ponto percentual); outubro (0,25 ponto percentual); e dezembro (0,25 ponto percentual)-- a fim de estimular o crédito e reativar a economia norte-americana. A expectativa entre economistas e investidores é de que o banco irá reduzir mais uma vez os juros, hoje em 4,25% ao ano.

O Fed deve se reunir nos próximos dias 29 e 30 para decidir sobre sua taxa de juros.

Recessão

A economia americana foi atingida no segundo semestre do ano passado por uma crise no mercado de hipotecas de risco (chamadas de "subprime"), um desdobramento da crise imobiliária com que o país já vinha tendo de lidar desde 2006. A crise no setor hipotecário causou problemas no mercado de crédito como um todo, atingindo até categorias acima do nível "subprime".

Os indicadores econômicos americanos, por sua vez, mostram sinais que preocupam analistas: a inflação no ano passado ficou em 2,4% (núcleo dos preços ao consumidor, uma das principais balizas para o Fed determinar sua taxa de juros), acima do que o banco considera adequado.

A taxa de desemprego, por sua vez, subiu para 5% no mês passado, acompanhada da criação de apenas 18 mil empregos --quando a expectativa era de 70 mil.

O setor financeiro como um todo, e as financiadoras imobiliárias e os bancos em particular, estiveram entre as empresas que mais sentiram o impacto das perdas com a inadimplência no mercado de crédito. O Citigroup, por exemplo, teve US$ 18,1 bilhões em perdas com papéis ligados a esse mercado, o que causou um prejuízo de US$ 9,8 bilhões no trimestre passado.

Outro banco que teve prejuízo (de US$ 9,8 bilhões) foi o Merrill Lynch, que perdeu US$ 11,5 bilhões com títulos ligados ao mercado de crédito.

Em pesquisa divulgada hoje no site da revista americana "Fortune", os cidadãos americanos mostram que já vêem a economia do país como em recessão ou perto de entrar em uma em algum momento deste ano.

Cerca de metade dos entrevistados disseram também que já passaram a cortar gastos, o que foi visto como mau sinal para a economia --o Federal Reserve (Fed, o BC americano) efetuou três cortes de juros no ano passado e deve manter a política de cortes neste ano justamente a fim de estimular o consumo.

Em entrevista do diário americano "The Wall Street Journal", o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan disse nesta semana que os EUA já estão ou provavelmente irão entrar em breve em uma recessão.

"Os sintomas estão claramente aí. Recessões não chegam de modo suave. Elas em geral são anunciadas por uma descontinuidade no mercado, e os dados das últimas semanas podem muito bem ser caracterizados assim", disse. Para ele, as chances de que o país caia em recessão ainda estão por volta de 50%.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca