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Dinheiro
21/01/2008 - 10h17

Estudo vê empresas preparadas contra crise dos EUA

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da Folha Online

As empresas brasileiras de capital aberto estão preparadas para enfrentar o impacto de possível crise econômica nos Estados Unidos, segundo pesquisa realizada pela Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo do Estado de São Paulo) em reportagem da Folha desta segunda-feira (íntegra exclusiva para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo o estudo, feito com base em balanços de empresas listadas em Bolsa e que abrangeu o período de 2002 a 2007, essas companhias atravessam o melhor momento de suas histórias.

Numa primeira fase, a pesquisa anual avaliou o desempenho de 201 companhias que divulgam balanços trimestrais e que, juntas, faturaram o equivalente a meio PIB brasileiro. Foi comparado seu desempenho nos primeiros nove meses no ano passado contra o mesmo período de 2006.

Além dos já esperados aumentos de vendas e lucratividade, de 19% e 22,4%, respectivamente, no período, a Fundap constatou que as empresas têm hoje baixíssimo endividamento e aumentaram seus ativos permanentes, em média, em 29%. Entre os ativos permanentes, estão bens como imóveis e equipamentos, que indicam investimentos feitos em aumento de produção.

Crise

A economia americana foi atingida no segundo semestre do ano passado por uma crise no mercado de hipotecas de risco (chamadas de "subprime"), um desdobramento da crise imobiliária verificada desde 2006. A crise no setor hipotecário provocou problemas no mercado de crédito como um todo, atingindo até categorias acima do nível "subprime".

Os indicadores econômicos americanos, por sua vez, mostram sinais que preocupam analistas: a inflação no ano passado ficou em 2,4% (núcleo dos preços ao consumidor, uma das principais balizas para o Fed determinar sua taxa de juros), acima do que o banco considera adequado.

A taxa de desemprego, por sua vez, subiu para 5% no mês passado, acompanhada da criação de apenas 18 mil empregos --quando a expectativa era de 70 mil.

O setor financeiro como um todo, e as financiadoras imobiliárias e os bancos em particular, estiveram entre as empresas que mais sentiram o impacto das perdas com a inadimplência no mercado de crédito. O Citigroup, por exemplo, teve US$ 18,1 bilhões em perdas com papéis ligados a esse mercado, o que causou um prejuízo de US$ 9,8 bilhões no trimestre passado.

Outro banco que teve prejuízo (de US$ 9,8 bilhões) foi o Merrill Lynch, que perdeu US$ 11,5 bilhões com títulos ligados ao mercado de crédito.

Reação

Na sexta-feira, o presidente norte-americano, George W. Bush, pediu um pacote de isenção fiscal de cerca de US$ 145 bilhões para estimular a economia dos EUA e evitar que o país caia em uma recessão.

Para que tal medida seja efetiva, Bush disse que o pacote de estímulo à economia precisa representar cerca de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA.

 

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