Recessão hoje nos EUA pode ser mais profunda que as anteriores, diz jornal
da Folha Online
Uma recessão nos EUA hoje, com os elementos que podem precipitá-la --crise imobiliária e de hipotecas, restrição ao crédito, prejuízos dos bancos, altos preços da energia e fraco mercado de trabalho-- pode ser mais profunda que as registradas nos últimos 25 anos, segundo reportagem do diário americano "The Wall Street Journal".
De acordo com o economista David Rosenberg, do banco de investimentos Merrill Lynch, a recessão em que os EUA correm o risco hoje de cair pode ser mais severa que a de 2001 (logo após o estouro da bolha das empresas "pontocom" e agravada após os ataques contra o World Trade Center em 11 de setembro daquele ano), disse Rosenberg.
Naquele período, destaca o "WSJ", o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA chegou a registrar recuo de 0,4%, mas os gastos dos consumidores nunca chegaram a ter resultado negativo, ainda que desacelerassem. Na crise ocorrida entre 1990 e 1991, a economia chegou a encolher 1,3%.
A opinião é partilhada pela economista Carmen Reinhart, da Universidade de Maryland. Segundo ela, a atual crise pode estar entre as mais graves que já atingiram os países industrializados desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). "Parte do problema é a incerteza", diz Reinhart. "Quanto mais tempo durar o processo de não saber o tamanho das perdas, mais tempo vai levar para se chegar a uma solução."
O economista da Northwestern University (no estado de Illinois, centro-norte dos EUA) Robert Gordon disse que a economia americana pode encontrar um ponto de sustentação em suas exportações, que vêm crescendo, mas que, apesar disso, a recessão pode estar perto.
"Embora a energia não seja mais um componente tão importante do orçamento doméstico dos consumidores quanto o foi nos anos 70 [durante os choques do petróleo], o aperto irá afetar o consumo de tudo o mais", disse Gordon. Segundo ele, mesmo que a recessão seja suave, a pressão sobre os gastos dos consumidores, ao lado da crise nos mercados imobiliário e de hipotecas, pode ser maior que as das recessões anteriores.
Opinião
Pesquisa de opinião divulgada na sexta-feira (18) pela revista americana "Fortune" mostrou que os americanos já vêem a economia dos EUA em recessão ou prevêem que ela deverá entrar em algum momento deste ano.
Segundo a pesquisa, 19% dos entrevistados disseram que a economia já está em recessão, enquanto 57% afirmam que a economia irá entrar em recessão em algum momento neste ano. Apenas 19% disseram que a economia americanos conseguirá evitar uma recessão.
Cerca de metade dos entrevistados disseram também que já passaram a cortar gastos, o que foi visto como mau sinal para a economia. "Se os consumidores preocupados com a recessão passarem a reduzir seus gastos, isso vai se tornar uma profecia auto-realizável", disse o diretor de pesquisa econômica da Argus Research ouvido pela rede de TV CNN na sexta, Rich Yamarone.
Questionados sobre suas condições econômicos nos últimos 12 meses, cerca de quatro de cada dez entrevistados disseram estar em pior situação hoje, na comparação com um ano atrás; um em cada quatro dos entrevistados afirmou estar "muito preocupado" com a possibilidade de perder o emprego nos próximos 12 meses; 87% disseram que a economia é "extremamente ou muito importante" na atual campanha presidencial; e 47% disseram que a crise imobiliária no país é o item isolado de maior peso para uma recessão.
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