Bovespa fecha em queda de 6,6% e acumula perdas de 16% no ano
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou seu pior tombo desde o notório 27 de fevereiro do ano passado, quando os mercados globais reagiram às fortes perdas na Bolsa chinesa. Como resultado, somente neste ano, o mercado acionário brasileiro já acumula perdas de 15,93%.
O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais negociadas, teve perdas de 6,6% hoje, aos 53.709 pontos, o seu nível mais baixo desde 10 de setembro de 2007. O volume financeiro foi alto, de R$ 6,11 bilhões.
A ação preferencial da Petrobras, um dos papéis preferidos por investidores estrangeiros, sofreu baixa de 7,42%, para R$ 66,47. A ação da Vale do Rio Doce, outro ativo bastante visado por não-residentes, teve retração de 11,35%, para R$ 41,55 no pregão de hoje.
Na Ásia, as principais Bolsas de Valores fecharam com fortes baixas. O índice Nikkei, do pregão de Tóquio, cedeu 3,86%, enquanto a Bolsa de Hong Kong finalizou o dia em queda de 5,49%. Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em baixa de 5,48% enquanto a Bolsa de Frankfurt caiu 7,16%.
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,830 para venda, com avanço de 2,52%, a cotação mais alta desde 27 de novembro.
As Bolsas norte-americanas não operaram hoje devido ao feriado do "Martin Luther King Day".
Frustração
Profissionais do setor financeiro citam duas razões que se combinaram para provocar a derrocada generalizada dos mercados nesta segunda-feira. Primeiro, a frustração com o plano de estímulo econômico anunciado na semana passada pela Casa Branca.
"O mercado já abriu com fortes quedas, devido à decepção com o pacote do Bush, que ainda depende de aprovação no Congresso e isso pode ter gerado um pouco de preocupação. Também há o problema do feriado americano, o que deixa o mercado brasileiro sem a sua principal referência", comenta Luciana Leocádia, chefe do departamento de análise de ações da Ativa Corretora.
Há pouca confiança no mercado de que as medidas do governo americano terão o efeito necessário em um prazo conveniente. A preocupação com a crise americana já atingiu níveis tão altos que nem mesmo a expectativa de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) reduza os juros anima os investidores.
Os juros básicos, hoje em 4,25% ao ano, servem de referência para os empréstimos a consumidores e empresas. Quando o "Fed" diminui esses juros, na verdade, quer estimular o consumo e os investimentos.
Seguradoras
Não foi só a decepção com o plano de Bush que gerou a onda de pessimismo generalizado. Para alguns especialistas, a crise dos créditos "subprime" ganhou um novo patamar na semana passada, quando algumas seguradoras importantes do mercado financeiro tiveram sua classificação de risco rebaixada.
"Na semana passada, ocorreram 'downgrades' de seguradoras de bônus, como a ACA, enquanto para outras já houve um aviso de que devem ser rebaixadas. Isto força ajustes no mercado e alguns investidores provavelmente tiveram que fazer caixa [vender ações] para dar conta", afirma Gustavo Barbeito, analista da Prosper Gestão de Recursos.
A agência de classificação de rating (risco de crédito) Standard & Poor's (S&P) rebaixou a classificação de crédito da ACA Financial Guaranty. As outras agências de classificação Moody's e Fitch também anunciaram que devem revisar as notas para essa empresa.
O rebaixamento da ACA é mais um sintoma da crise dos créditos "subprime" (hipotecas de alto risco). Essa seguradora garante o pagamento de títulos negociados no mercado global. O "downgrade" dessa seguradora afeta justamente a confiança num dos mecanismos de contraparte de um sistema financeiro já abalado pelas perdas bilionárias de bancos com os créditos imobiliários americanos.
"Quando ocorre um 'downgrade' desses, os títulos que são garantidos pelas seguradoras também perdem valor. Isso pode provocar uma enorme onda de vendas, porque muitos investidores não podem ficar uns ativos abaixo de um certo nível de risco e têm que se desfazer desses títulos", afirma Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora.
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Especial


Vão se aventurar no mercado e nem conhece o minimo exigido para aprender a se defender dele.
A queda desse ano está sendo ótima para aplicação de algumas estratégias de longo prazo. E enquanto os leigos vendem os bons papéis desesperadamente a preço de banana, o dinheiro esperto os compram.
Pensem nisso.
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Não importa se a notícia é boa , ótima , ruim ou péssima; a reação do mercado a ela SEMPRE (não de vez em quando; é SEMPRE) será exagerada.
Compre ações de empresas sólidas, não se apavore com quedas ocasionais da bolsa, não se meta a "especulador" de curto prazo, se não tem conhecimento para tanto... e as chances de ganhar dinheiro na bolsa aumentam... no LONGO PRAZO, óbvio.
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Como ao pequeno investidor estas estratégiaas são práticamente nulas por serem de´difícil realização por suas condições de agir e atuar de forma dinâmica e imediata no mercado, o que precisamos é de fortes mecanismos de acompanhamento, controle e fiscalização pelos agentes reguladores.
Onde está a responsabilidade profissional para com o público investidor, em geral, quando Agentes atuantes de alto nome no Mundo avaliam técnicamente preços de lançamentos que, em ocasiões como as recentes, não se sustentam por mais de dois a tres meses???
A continuar como tem sido, sempre teremos no mercado a repatriação das pequenas economias, construídas a duras penas, para o caixa das grandes fortunas .... estas, construídas sabe-se lá como!!!!
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