Analistas vêem chance de melhora dos mercados no segundo semestre
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Profissionais do setor financeiro apostam em uma "luz no fim do túnel" no segundo semestre deste ano, quando contam que o pior momento da crise dos EUA tenha passado.
"O investidor tem que ter muita calma nesse momento. O primeiro semestre vai ser um período de muita volatilidade. Devem ser divulgados agora vários indicadores econômicos que ainda refletem os problemas com a crise dos 'subprime' [as hipotecas de alto risco]. Além disso, também é o período em que os bancos vão revelar suas perdas com a crise. Quer dizer, é um semestre com um acúmulo de más notícias", alerta Luciana Leocádia, chefe do departamento de análise de ações da Ativa Corretora.
Alguns analistas esperam que, no segundo semestre, os efeitos dos cortes nos juros americanos já façam efeito sobre o nível de atividade. Neste final de mês, os integrantes do Federal Reserve (banco central dos EUA) se reúnem para discutir a nova taxa básica de juros, hoje em 4,25% ao ano.
O mercado financeiro não espera uma redução menor que 0,50 ponto percentual e pelo menos mais cortes desta dimensão nos próximos meses. Alguns já falam em ajustes de 0,75 ponto percentual devido ao tamanho da crise.
'Eu ainda estou otimista sobre a economia americana. É um país com uma economia robusta, dinâmica e principalmente, aberta, desregulada. O cidadão americano também possui uma propensão ao consumo e sabe comprar. É mais possível que o crescimento econômico dos EUA seja próximo de zero neste ano que seja negativo', acrescenta Barbeito.
Esse relativo otimismo não é unânime no mercado. Para alguns economistas do setor financeiro, é somente uma questão de tempo para que os EUA entrem em recessão. "Os EUA provavelmente já estão em recessão ou muito próximos disso. As Bolsas estão caindo fortemente também por causa da convicção de que os problemas do setor financeiro terão impacto no crédito, e sobre o consumo", avalia Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora.
"O pacote de [estímulo econômico] do presidente Bush é até positivo, mas é pouco para dar conta dos problemas. Além disso, também não temos garantias de que esses cortes de impostos vão ter efeito no tempo correto", acrescenta o economista, fazendo referência ao plano de isenções fiscais anunciado na semana passada pela Casa Branca.
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