Publicidade

Dinheiro
22/01/2008 - 07h58

Bolsas asiáticas fecham em forte queda, com pessimismo sobre EUA

Publicidade

da Folha Online

As Bolsas asiáticas tiveram um novo dia de quedas expressivas nesta terça-feira. Continua a preocupar os investidores asiáticos a possibilidade de a economia americana entrar em recessão, o que afetaria as exportações da Ásia para os EUA.

A Bolsa de Hong Kong teve queda de 8,7%, ficando com 21.757,63 pontos; o resultado ficou perto da maior perda já registrada no índice, de 8,8%, registrada após 11 de setembro de 2001, depois dos ataques contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

A Bolsa de Xangai fechou em queda de 7,22% (maior 4 de junho), ficando com 4.559,75 pontos. Em Shenzhen, o índice geral fechou em baixa de 7,06%, aos 15.995,85 pontos. O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 5,64%, com 12.573,05 pontos (menor nível desde setembro de 2005). O índice Topix, que reúne todos os valores da primeira seção, caiu 5,70%, para 1.219,94 pontos (menor nível desde outubro de 2005).

O índice Kospi da Bolsa de Seul fechou em queda de 4,43%, com 1.609,02 pontos. Trata-se da sexta maior queda do Kospi em toda sua história. Apesar disso, o principal índice sul-coreano recuperou no fechamento os 1.600 pontos, após ter ficado abaixo dessa marca durante o pregão pela primeira vez em oito meses. O índice de valores tecnológicos desabou 37,07 pontos (5,69%) aos 614,80.

Apesar da queda da Bolsa de Tóquio e da valorização do iene frente o dólar, ministros japoneses afirmaram que o governo não vai intervir no mercado. O vice-ministro porta-voz, Matsushige Ono, afirmou que o governo espera que a economia continue se recuperando, mas destacou que acompanhará os eventos nos mercados de perto.

As Bolsas americanas estiveram fechadas ontem, devido ao feriado do Dia de Martin Luther King. A expectativa dos analistas é que Wall Street retome as atividades hoje, já operando em queda.

Com o feriado ontem nos EUA, sem divulgação de indicadores econômicos ou de resultados corporativos, os investidores não tiveram referências significativas para a realização de negócios e o temor de que os EUA estejam perto de uma recessão dominou os ânimos.

"Podemos ver que os investidores perderam a confiança na capacidade de o governo americano lidar com o problema dos créditos 'subprime' [de maior risco]", disse o estrategista Castor Pang, da Sun Hung Kai Financial, segundo a agência de notícias Associated Press. "A política de dar estímulo à economia não ficou à altura das expectativas."

Na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou as linhas gerais de um plano de estímulo à economia do país; entre as medidas a constarem do plano está um incentivo fiscal de cerca de US$ 145 bilhões. O governo pretende, assim, evitar uma queda nos gastos do consumidor (que respondem por cerca de 70% de toda a atividade econômica americana).

O plano, no entanto, é visto pelos analistas como insuficiente. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) também vem agindo, através de cortes de juros (foram três consecutivos no ano passado), a fim de baratear o crédito e levar consumidores e empresas a tomar mais empréstimos e realizar novos financiamentos, para que a economia não entre em recessão.

Uma queda na atividade econômica dos EUA prejudicaria a Ásia, uma vez que são um dos maiores parceiros comerciais da região.

"Embora a iniciativa represente um adicional para os Estados Unidos, há certa incerteza sobre se será suficiente", disse hoje à agência japonesa Kyodo o estrategista de bolsa da Mitsubishi UFJ Securities, Norihiro Fujito.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca