Bolsas européias tornam a cair afetadas com temor sobre economia dos EUA
da Folha Online
As Bolsas européias tornaram a cair nesta terça-feira, após o pregão de ontem, quando as perdas chegaram a passar de 7% em alguns mercados. Continua no horizonte a preocupação com a possibilidade de recessão nos EUA. Na Ásia, as Bolsas também tiveram outro dia de quedas, com perdas expressivas em Hong Kong, Xangai e Tóquio.
A Bolsa de Hong Kong houve queda de 8,7% --perto da maior perda já registrada, de 8,8%, após o 11 de Setembro. A Bolsa de Xangai fechou em queda de 7,22% (maior 4 de junho). O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 5,64%. Na Índia, a queda foi tão forte que as negociações chegaram a ser suspensas.
Apesar da queda da Bolsa de Tóquio e da valorização do iene frente o dólar, ministros japoneses afirmaram que o governo não vai intervir no mercado. O vice-ministro porta-voz, Matsushige Ono, afirmou que o governo espera que a economia continue se recuperando, mas destacou que acompanhará os eventos nos mercados de perto.
Às 10h15 (em Brasília), a Bolsa de Londres operava em baixa de 0,71%, com 5.538,40 pontos; a Bolsa de Paris caía 0,92%, para 4.700,65 pontos; a Bolsa de Frankfurt estava em baixa de 1,53%, operando com 6.686,50 pontos; a Bolsa de Milão estava em baixa de 1,07%, caindo para 25.333 pontos; a Bolsa de Amsterdã tinha perda de 0,0,53%, indo para 420,22 pontos; e a Bolsa de Zurique caía 0,97%, para 7.216,64 pontos.
Pouco antes, o índice FTSEurofirst 300 --que reúne ações as principais empresas européias-- registrava baixa de 0,5%, operando com 1.273,63 pontos (depois de recuar para 1.223,36 pontos, menor nível desde novembro de 2005). Ontem, o índice chegou a cair 6%, menor nível desde os ataques de 11 de setembro de 2001 contra as Torres gêmeas do World Trade center, em Nova York.
As ações do setor financeiro conseguiram reverter perdas logo após a abertura; entre elas, estão as do Santander (2%), do Royal Bank of Scotland (0,7%) e do UBS (2,9%). Os setores bancário e de seguradoras estiveram entre os que mais caíram ontem, com o risco de que a economia dos EUA, em desaceleração e, segundo pesquisas e analistas, a caminho de uma recessão.
"Há muito medo nos mercados do mundo inteiro", disse à agência de notícias Reuters o estrategista Tom Hougaard, da City Index Markets.
O estrategista da AXA Investment Managers em Paris Franz Wenzel disse que os mercados emergentes também estão perdendo, o que "é o fim da teoria do descolamento". "Esses mercados não estão imunizados, afinal de contas."
Em queda estavam os papéis das empresas no setor de energia --entre eles os das petrolíferas Total (-2,2%), British Petroleum (-2,7%) e Royal Dutch Shell (-1,2%).
EUA
As Bolsas norte-americanas estiveram fechadas ontem, devido ao feriado do Dia de Martin Luther King. A expectativa dos analistas é que Wall Street retome as atividades hoje, já operando em queda.
Com o feriado ontem nos EUA, sem divulgação de indicadores econômicos ou de resultados corporativos, os investidores não tiveram referências significativas para a realização de negócios e o temor de que os EUA estejam perto de uma recessão dominou os ânimos.
No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou seu pior tombo desde o notório 27 de fevereiro do ano passado, quando os mercados globais reagiram às fortes perdas na Bolsa chinesa. O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais negociadas, teve perdas de 6,6%.
"Podemos ver que os investidores perderam a confiança na capacidade de o governo americano lidar com o problema dos créditos 'subprime' [de maior risco]", disse o estrategista Castor Pang, da Sun Hung Kai Financial, segundo a agência de notícias Associated Press. 'A política de dar estímulo à economia não ficou à altura das expectativas".
Na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou as linhas gerais de um plano de estímulo à economia do país; entre as medidas a constarem do plano está um incentivo fiscal de cerca de US$ 145 bilhões. O governo pretende, assim, evitar uma queda nos gastos do consumidor (que respondem por cerca de 70% de toda a atividade econômica americana).
O plano foi julgado como insuficiente. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) vem cortando juros (foram três consecutivos no ano passado) a fim de baratear o crédito e levar consumidores e empresas a tomar mais empréstimos e realizar novos financiamentos, para que a economia não entre em recessão.
Leia mais
- Lula se diz tranqüilo e cobra ação dos EUA para evitar que crise se alastre
- Meirelles diz que Brasil está preparado, mas não imune à crise dos EUA
- Presidente do FMI diz que crise nos EUA é "séria"
- Recessão hoje nos EUA pode ser mais profunda que as anteriores, diz jornal
- Bush pede pacote de isenção fiscal de US$ 145 bi para conter crise nos EUA
Especial

