Dinheiro
22/01/2008 - 12h04

Entenda: corte de juros nos EUA ocorre para evitar recessão

da Folha Online

O Federal Reserve (o Fed, banco central dos EUA) mostrou aos mercados que está disposto a usar de todas "as armas" para evitar que a maior economia do planeta caia em recessão, temor de dez entre dez economistas do setor financeiro atualmente. A autoridade monetária reduziu extraordinariamente os juros básicos da economia americana de 4,25% para 3,50%, um ajuste de 0,75 ponto percentual.

O Fed também cortou a chamada "taxa de redesconto", de 4,75% para 4% ao ano. Esta taxa é utilizada pela autoridade monetária para empréstimos de "emergência" para instituições financeiras que enfrentam problemas de caixa --o que tem sido bastante comum desde a crise hipotecária nos EUA.

Os juros básicos, reduzidos para 3,5%, servem de referência para o custo dos empréstimos para consumidores e empresas. A redução desses juros pode ser entendida, portanto, como um estímulo para que os cidadãos americanos tomem crédito e voltem às compras, e para que as empresas façam investimentos, movimentando a economia. Nos EUA, o consumo das pessoas físicas é a maior alavanca da economia.

Se a economia dos Estados Unidos se mantiver aquecida, com consumo em alta e dinheiro em circulação, diminui o risco de outros países, principalmente aqueles que exportam para lá, serem afetados e desencadearem uma queda generalizada ao redor do planeta.

O corte da "taxa de redesconto", por sua vez, representa um sinal de que o Fed não vai deixar o sistema financeiro "à míngua", devido à contração de crédito provocada pela crise dos créditos "subprime" (empréstimos imobiliários para pessoas com histórico de inadimplência), que gerou uma desconfiança generalizada entre os bancos e retraiu o crédito como um todo, já que instalou-se o medo que os tomadores não honrassem suas dívidas, assim como ocorreu com o setor "subprime".

O principal termômetro do tamanho do medo da recessão nos EUA são as Bolsas de Valores. Com receio de perdas, os investidores vendem suas ações para investir em opções mais seguras e provocam fortes quedas. Nos mercados emergentes, como Brasil, por exemplo, registra-se forte saída de investidores estrangeiros, que vendem seus papéis aqui para cobrir as perdas geradas lá fora.

Os EUA têm assustado o mundo com uma seqüência de indicadores econômicos bastante fracos nos últimos meses. Há algumas semanas, a geração de postos de trabalho e o desemprego acenderam o sinal "amarelo" de investidores e analistas. Depois, a queda nos preços dos imóveis, com a conseqüente destruição de riqueza que implica, e as perdas bilionárias de grandes bancos americanos, elevaram o nervosismo dos mercados financeiros.

O ex-titular do Fed, Alan Greenspan, foi uma das vozes mais influentes a defender a tese de que os EUA estava à beira de uma recessão. O "exemplo" foi seguido por grandes bancos de investimentos, que começaram a engrossar o coro dos que viam o pior cenário para a economia americana. A ação do Federal Reserve de hoje foi uma resposta agressiva a essas preocupações.

 

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