Investidores ignoram corte de juros do Fed e Bolsas em NY caem
da Folha Online
As Bolsas americanas abriram em queda acentuada nesta terça-feira. Os investidores ainda não mostraram reação positiva à medida do Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciada hoje, de cortar sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50%.
Às 12h49 (em Brasília), o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), da Bolsa de Valores de Nova York, estava em baixa de 2,51%, operando com 11.796,01 pontos, enquanto o S&P 500 caía 2,59%, para 1.290,92 pontos. A Bolsa Nasdaq operava em baixa de 2,79%, com 2.274,80 pontos.
A decisão do Fed veio antes da reunião de política monetária do banco, programada para os dias 29 e 30 deste mês. O corte, mesmo tendo ficado em linha com o esperado por alguns analistas, não surtiu o efeito esperado no ânimo dos investidores. A medida extraordinária do BC americano foi vista como sinal de que o risco de recessão nos EUA pode ser maior que o previsto.
Entre as perdas de hoje, o setor financeiro deverá ser o mais atingido: o Bank of America anunciou uma queda de 95% em seu lucro no quarto trimestre, para US$ 268 milhões, e o Wachovia teve uma queda de 98% em seu lucro, que ficou em US$ 51 milhões no trimestre passado. Ambos sofreram perdas com as reduções nos valores de seus ativos lastreados em papéis de crédito de risco.
No setor de tecnologia, as perdas eram mais significativas nas ações do eBay e do Yahoo, que deve anunciar cortes de empregos.
As Bolsas européias, por sua vez, passaram a reagir com otimismo, após a perda inicial com o anúncio do Fed: a Bolsa de Londres tinha alta de 1%; a de Paris, alta de 0,66%; a de Zurique subia 1,04%; e a de Amsterdã, subia 1,20%. A Bolsa de Frankfurt era a exceção, com queda de 1,71%.
No Brasil, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) resiste à queda nas Bolsas americanas e opera com forte alta, recuperando uma parte das perdas acumuladas. O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais movimentadas, sobe 2,56%, aos 55.085 pontos. O volume financeiro está alto para o horário: R$ 2,91 bilhões. A recuperação da Bolsa brasileira é puxada pelo bom desempenho das ações da Petrobras.
Fed
A decisão do Fed pretende fornecer um novo estímulo à economia norte-americana e evitar uma recessão. Foi a primeira vez desde os ataques terroristas de 11 de Setembro que o Fed recua os juros fora do período de suas reuniões regulares.
A decisão, no entanto, não foi unânime: o membro do Fed William Poole votou contra a decisão de cortar a taxa, alegando não acreditar que as atuais condições justifiquem uma ação do banco antes da reunião de política monetária, programada para a próxima semana. O membro do Fed Frederic Mishkin esteve ausente.
O banco justificou o corte alegando o "enfraquecimento da perspectiva econômica e o aumento do risco de desaceleração do crescimento", segundo comunicado.
Além disso, o Fed informou que pode agir novamente se as medidas tomadas hoje não surtirem o efeito desejado. "Restam riscos consideráveis de desaceleração econômica. O Comitê continuará a avaliar os efeitos financeiros e outros desdobramentos nas perspectivas econômicas e agirá de maneira pontual conforme necessário para enfrentar esses riscos".
"Enquanto as pressões sobre os mercados financeiros de curto prazo tenham se aliviado um pouco, as condições de financiamento geral do mercado continuam a se deteriorar e o crédito tem se apertando para alguns negócios e consumidores. Além disso, informações recebidas indicam o aprofundamento da contração imobiliária, bem como o enfraquecimento do mercado de trabalho", informa a nota.
Mas o Fed garantiu que, mesmo com a queda repentina nos juros, não perderá seu foco na inflação. 'O Comitê espera que a inflação se modere nos próprios trimestres, mas para isso será necessário cautela no monitoramento do desenvolvimento da inflação', informa a nota.
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