Brasil tem situação privilegiada, mas crise pode afetar o país, diz Mantega
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Guido Mantega (Fazenda) avalia que o corte de juros emergencial promovido hoje pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) apenas interromperá a turbulência nos mercados. Ele disse acreditar que o problema só será resolvido quando as perdas geradas pela crise de crédito no mercado imobiliário forem completamente absorvidas. Sobre o Brasil, ele disse que o país tem situação privilegiada, mas não está completamente imune.
Segundo comunicado do Fed --que reduziu sua taxa básica de juros para 3,5%, uma redução de 0,75 ponto percentual--, a medida foi tomada em vista do risco de enfraquecimento da economia no futuro e o aumento do risco de desaceleração do crescimento. Na reunião de hoje, oito integrantes do órgão, incluindo seu presidente, Ben Bernanke, votaram a favor da redução da taxa, enquanto um votou contra e um se absteve.
"Enquanto não houver uma absorção das perdas dos "subprimes" [empréstimo para pessoas com histórico de inadimplência] nós não teremos a digestão dessa crise. É uma bolha que está se dissipando", afirmou o ministro.
Mantega afirmou ainda que o governo norte-americano precisa apresentar as primeiras medidas para evitar uma recessão na maior economia do planeta. Entre elas, o ministro espera uma forte redução de impostos.
Sobre as conseqüências para o Brasil, Mantega afirmou que serão poucas, já que não há problemas de solvência no mercado financeiro, ou seja, o mercado está líquido e com dinheiro em circulação.
"Se alguma conseqüência vier, será por alguma alteração no comércio mundial e na redução dos preços das commodities. Nada que virá interferir no crescimento do país", afirmou.
Mesmo como uma possível crise nos EUA, o ministro mantém a aposta de que o PIB terá uma expansão de 5% neste ano. Porém, Mantega admite que em caso de uma crise mais intensa, a economia brasileira poderá ser afetada, mesmo que de forma moderada. "Se houver uma coisa mais forte, poderá haver uma pequena desaceleração".
Mais cedo, porém, Mantega afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar uma crise internacional e que o país está em uma "situação privilegiada".
"Tendo em vista o que foi feito nos últimos anos (...) isso nos constituiu sólidos fundamentos que nos colocam em situação privilegiada para enfrentar uma crise internacional", disse o ministro da Fazenda.
"Não quero dizer que o país está imune, mas, dependendo das dimensões que venha a adquirir [a crise], o que quero dizer aqui, hoje, é que o Brasil nunca esteve tão sólido para passar por uma crise dessa magnitude", afirmou.
Segundo ele, a situação está sob controle e não há fuga de capitais do país. Ele ressaltou ainda que 2008 começa com um impulso de crescimento, resultado do "bom desempenho de 2007".
Leia mais
- Bovespa avança 2,56%, puxada por Petrobras; dólar desce para R$ 1,81
- Secretário do Tesouro se diz otimista sobre plano de estímulo à economia
- Fed cogita fazer novos cortes nos juros dos EUA
- Entenda: corte de juros nos EUA ocorre para evitar recessão
- Para barrar crise, Fed reduz juros em 0,75 ponto percentual, para 3,5%
- Celso Pinto reúne artigos que retratam os desafios do crescimento do Brasil


