Bovespa fecha em alta de 4,45%; corte de juros pelo Fed ajuda recuperação
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Um ajuste de "emergência" na taxa de juros dos Estados Unidos permitiu um momento de alívio para os mercados financeiros, em meio ao pessimismo generalizado sobre a maior economia do planeta entrar em recessão. Após acumular perdas de quase 16%, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ganhou força e descolou das Bolsas americanas, sua principal referência externa.
A reunião extraordinária do Federal Reserve (o Fed, banco central dos EUA) foi a principal notícia do dia. A entidade reduziu os juros básicos americanos de 4,25% ao ano para 3,50% e sinalizou para o mercado que pode tomar novas medidas drásticas --até mesmo novos cortes-- para evitar que os EUA caiam em uma recessão, com repercussões globais.
O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais importantes, valorizou 4,45%, aos 56.097 pontos. O volume financeiro foi alto, de R$ 8,10 bilhões, acima da média diária deste mês (R$ 5,45 bilhões) e dezembro (R$ 6,29 bilhões).
A ação preferencial da Petrobras, uma das mais visadas por investidores estrangeiros, teve alta de 9,76%, negociada a R$ 72,96. O ativo foi um dos que mais contribuíram para a alta de hoje, com giro de R$ 1,8 bilhão, quase 20% do volume total movimentado na Bovespa.
Outro papel muito negociado por estrangeiros, a ação preferencial da Vale, teve ganhos de 4,09%, a R$ 43,25, com giro de R$ 875 milhões.
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,792 para venda, com queda de 2,07%. A taxa de risco-país marcou 270 pontos, número 6,29% superior à pontuação final anterior.
O dia começou em alta voltagem, já anunciada pelas fortes perdas registradas no mercado asiático. Repercutindo ainda a frustração com o plano de estímulo fiscal do governo Bush, a Bolsa de Tóquio fechou em queda de 5,64%, enquanto Hong Kong cedeu 8,7% e Xangai, 7,22%. Na índia, o pregão chegou a ser congelado.
Na Europa, as principais Bolsas de Valores seguiam pelo mesmo caminho, mas reverteram após a ação agressiva do Fed. A Bolsa de Londres teve ganho de 2,86%, enquanto Frankfurt cedeu 0,31% (após cair 1,5% pela manhã). Na Itália, a Bolsa de Milão teve alta de 1,02% e Amsterdã, de 2,56%.
O corte dos juros americanos não animou da mesma maneira os investidores locais. No epicentro de uma das primeiras grandes crises financeiras do século 21, as Bolsas americanas operaram em queda desde abertura, esboçando reação fraca. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, sofria perdas de 0,19% às 18h38.
Reação exagerada
"O mercado teve uma reação muito exagerada ontem. Era um pouco esperado que houvesse algum ajuste técnico nos negócios de hoje", comenta Paolo Mason, diretor de varejo da corretora Win --home broker da Alpes Corretora.
Mason aconselha que investidores nervosos que não vendam suas ações em momentos de pânico. "A Bolsa brasileira continua com bons fundamentos. A recomendação básica é que, quem já possui ações de primeira linha, com boas empresas, que paguem dividendos, e o dinheiro investido não é de curto prazo, que mantenha essa carteira", afirma.
Ele não espera que a volatilidade dos mercados financeiros caia no curto prazo, mas viu de forma positiva a ação do Fed e mesmo o plano de estímulo anunciado pelo governo Bush. "Isso mostra que o governo deles [dos EUA] está agindo para conter a crise. E que estão agindo rápido. Se eles acertarem as medidas, é possível ver alguns efeitos já no segundo semestre", acrescenta.
Para aqueles com maior tolerância a risco, e que têm interesse em aproveitar os preços das ações para comprar, o conselho básico é focar em papéis de primeira linha. "Essas ações, como Petrobras, Vale, Usiminas, bancos como Itaú, são muito negociadas por estrangeiros. Por isso, são as primeiras a cair nesses momentos de nervosismo, mas também são as primeiras a subir quando o mercado recupera", avalia.
A reação de alguns analistas mostra que a ação do Fed não "garantiu" uma mudança de ânimos no mercado. "O mercado terá de contrabalancear a novidade de que o Fed está disposto a agir agressivamente para dar sustentação à confiança [e aos mercados] com a novidade [claramente negativa] que a conjuntura parece bem pior do que se achava", avaliou o departamento de economia do Santander, em nota distribuída nesta tarde.
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A redução da desigualdade NUNCA havia sido feita por governo nenhum do país! (eu digo isso com muita tristeza).
O documentário feito pela BBC- MUIT ALÉM DO CIDADÃO KANE (disponível no youtube) - feito pela Inglaterra revela esta desigualdade social. O curioso é que ainda revela outras situações importantes que só dá pra discutir quem já assistiu (como o interesse da REDE GLOBO de influenciar nas eleições sempre para o lado que mais interessa à emissora e não a sociedade).
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Porém, a quantidade é inversamente proporcional à qualidade.
Foram gerados inumeros empregos, obras do PAC, inclusão social através do bolsa familia, aumento de universitários, porém, tudo de baixa qualidade.
E o que era de qualidade razoável, está ficando ruim tambem.
Do ponto de vista em nivelar "por baixo" , realmente o Brasil esta indo bem.
[]s
Eduardo.
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