Governo maquia balanço do PAC
da Folha Online
O governo maquiou os resultados do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), segundo reportagem desta quarta-feira da Folha (íntegra do texto exclusivo para assinantes do jornal ou do UOL). Segundo o texto, algumas obras, mesmo com cronogramas atrasados, obtiveram o selo verde (que classificam os projetos com andamento adequado).
O balanço foi divulgado ontem em cerimônia que marcou um ano do lançamento do programa, carro-chefe do segundo mandato do governo Lula.
Segundo a reportagem, o governo decidiu ignorar atrasos em obras como as da usina nuclear de Angra 3, das hidrelétricas de Belo Monte (PA) e Ribeiro Gonçalves (PI) e o do gasoduto Campinas-Rio. Outras obras que não foram consideradas atrasadas foram as de dragagem do porto de Itaguaí (RJ), da avenida perimetral portuária de Santos (margem direita) e a das pistas do aeroporto de Guarulhos.
O texto destaca que todas essas obras estão atrasadas em relação aos prazos previstos em setembro de 2007.
No início de 2007, ao anunciar o PAC, a expectativa do governo era que os investimentos totais (governo, estatais e iniciativa privada) chegassem a R$ 500 bilhões até o final de 2010. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que o valor poderá ser superado. "Eu acho que nós vamos chegar a um pouco mais de R$ 500 bilhões."
O dinheiro empenhado, ou seja, comprometido para pagamentos, acelerou e cresceu 733% de setembro para dezembro. Em setembro, o total estava em R$ 6,7 bilhões (ou 45% da verba disponível), enquanto em dezembro o total subiu para R$ 16 bilhões, que corresponde a 97% da verba para 2007.
O pagamento realmente efetivado, porém, atingiu apenas 27% em dezembro, para R$ 4,756 bilhões em dezembro --em setembro, o pagamento era de R$ 1,37 bilhão, correspondente a 9,3% do previsto.
Os restos a pagar somaram R$ 11,244 bilhões e serão desembolsados à medida que as etapas de cada obra forem concluídas.
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