Apesar de corte do Fed, perdas aumentam nas Bolsas européias com BCE
da Folha Online
As perdas nas Bolsas européias aumentaram nesta quarta-feira. Persiste nos mercados de ações europeus o temor quanto a uma recessão nos EUA, apesar do alívio trazido ontem com o corte de 0,75 ponto percentual feito pelo Federal Reserve (Fed, o BC americano) em sua taxa de juros, que ficou em 3,50%.
Depois de chegar a subir 1,6%, o índice FTSEurofirst 300 --que reúne as ações das principais empresas européias-- chegou a recuar 1,7%.
Às 11h11 (em Brasília), a Bolsa de Londres caía 1,91%, para 5.630,40 pontos; a Bolsa de Paris tinha recuo de 2,89%, indo para 4.702,54 pontos; a Bolsa de Milão tinha queda de 2,80%, caindo para 25.138 pontos; a Bolsa de Zurique caía 2,25%, para 7.319,78 pontos; a Bolsa de Amsterdã tinha baixa de 2,54%, caindo para 422,25 pontos; e a Bolsa de Frankfurt caía 3,57%, para 6.528,05 pontos.
Hoje o que afeta o ânimo dos investidores europeus é a indicação dada pelo BCE (Banco Central Europeu) de que não seguirá a tendência de redução de juros na zona do euro. O presidente do banco, Jean-Claude Trichet, indicou que é "improvável" que haja reajustes nos juros em breve.
"Nós temos de olhar para o que está acontecendo com a economia real [ligada aos setores produtivos]. Nós estamos diante de um certo cenário e nesse momento eu não vou modificá-lo", afirmou Trichet.
A declaração contraria a expectativa dos analistas, que esperavam do BCE medida semelhante à do Fed, com um corte também em sua taxa de juros (hoje em 4% ao ano).
Trichet destacou que ainda há risco de uma desaceleração no crescimento da zona do euro e que o banco tem a responsabilidade de conter as expectativas de inflação para evitar mais oscilações em um mercado já bastante incerto.
"Após digerir a notícia [do corte de juros do Fed], os mercados chegaram à conclusão de que isso não irá resolver os problemas na economia dos EUA", disse o estrategista Niels From, do Dresdner Kleinwort em Frankfurt.
O Fed vem reduzindo sua taxa de juros com o objetivo de fornecer um novo estímulo à economia norte-americana e evitar uma recessão. O governo americano também vem agindo: na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou as linhas gerais de um plano de estímulo à economia do país; entre as medidas a constarem do plano está um incentivo fiscal de cerca de US$ 145 bilhões.
"O movimento do Fed foi visto como sinal de que os problemas são muito piores do que se imaginava", disse o analista Eugen Weinberg, do Commerzbank.
Asiáticas
Na Ásia, a decisão do Fed deixou os investidores de bom humor, que voltaram ao mercado. A Bolsa de Hong Kong subiu 10,72%, após uma queda de 8,7% ontem; as Bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen também subiram, com altas de 3,14% e 5,49% respectivamente; a Bolsa de Tóquio fechou em alta de 2,03%; e a Bolsa de Mumbai, na Índia (que ontem teve os negócios suspensos por uma hora devido a uma queda de quase 10% logo após a abertura) subiu 6%.
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