Dinheiro
23/01/2008 - 15h14

Bolsas européias caem com sinal de que BCE não cortará juros

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da Folha Online

As Bolsas européias fecharam em baixa nesta quarta-feira. Um dia depois de o Federal Reserve (Fed, o BC americano) ter cortado sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50%, os investidores europeus voltaram a vender papéis, depois que o BCE (Banco Central Europeu) descartou adotar medida semelhante.

A Bolsa de Londres fechou em queda de 2,28%, com 5.609,30 pontos; a Bolsa de Paris teve baixa de 4,25%, ficando com 4.636,76 pontos; a Bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 4,88%, com 6.439,21 pontos; a Bolsa de Milão caiu 3,79%, para 24.882 pontos; a Bolsa de Madri fechou em baixa de 4,56%, com 12.254,60 pontos; a Bolsa de Amsterdã teve perda de 3,73% e ficou com 417,13 pontos; e a Bolsa de Zurique caiu 1,76%, para 7.356,13 pontos.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse hoje que ainda há risco de uma desaceleração no crescimento da zona do euro e que o banco tem a responsabilidade de conter as expectativas de inflação para evitar mais oscilações em um mercado já bastante incerto.

A declaração do compromisso com o controle da inflação foi vista como sinal de que o banco não deve efetuar reajustes em breve em sua taxa de juros (hoje em 4% ao ano) --o que contrariou analistas e investidores, que esperavam uma medida semelhante à do Fed, com um corte também em sua taxa de juros.

As quedas nas Bolsas pelo mundo servem, segundo Trichet, como um "vívido lembrete" de que é preciso que os bancos centrais e as autoridades reguladoras reforcem os sistemas financeiros de seus países contra choques futuros. Para ele, a "correção bastante significativa" vista nos últimos dias podem levar a novas regras sobre a quantidade de capital que os bancos têm de deixar reservado para cobrir eventuais perdas com papéis de risco.

Ontem, após o anúncio do Fed, as Bolsas na Europa, que vinham caindo ao longo do dia, passaram a se recuperar e fecharam em altas significativas.

O Fed reduziu sua taxa de juros no ano passado em três reuniões consecutivas --setembro (0,50 ponto percentual); outubro (0,25 ponto percentual); e dezembro (0,25 ponto percentual). A decisão de ontem antecipou a medida que era esperada apenas para a próxima semana (a reunião regular do Fed está programada para os dias 29 e 30 deste mês).

A ação do Fed pretende fornecer um novo estímulo à economia norte-americana e evitar uma recessão. O governo americano também vem agindo: na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou as linhas gerais de um plano de estímulo à economia do país; entre as medidas a constarem do plano está um incentivo fiscal de cerca de US$ 145 bilhões.

O otimismo com a queda dos juros diminuiu hoje também em Wall Street: a Bolsa de Valores de Nova York opera em baixa de mais de 1,5% no índice Dow Jones e de quase 2% no S&P 500; a Bolsa Nasdaq cai quase 3% com a previsão desanimadora divulgada pela Apple Computer e com os resultados fracos anunciados pela Motorola.

 

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