Wall Street se recupera e Bolsas fecham em alta nos EUA
da Folha Online
As Bolsas dos EUA conseguiram recuperar-se nesta quarta-feira e voltaram a crescer graças a oportunidades de investimento aproveitadas pelos operadores, que compraram após dias de fortes baixas, e uma reunião em que decidiu-se socorrer bancos expostos à crise. A alta de hoje interrompe uma seqüência de cinco dias de perdas.
O índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, avançou 2,50%, para 12.270 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq subiu 1,05%, para 2.316 pontos, enquanto o índice S&P500, que reúne as 500 empresas mais negociadas, registrou valorização de 2,14%, para 1.338 pontos.
Os três índices abriram em forte queda, influenciados principalmente pelos resultados negativos divulgados pela Apple e pela Motorola.
A Apple Computer --criadora do iPod e do iPhone-- informou ontem que prevê um crescimento de 29% em suas vendas neste primeiro trimestre, o que ficou abaixo do esperado por analistas e investidores. A notícia foi vista como indicação de que os gastos dos consumidores (que respondem por cerca de 70% da atividade econômica americana) estão declinando.
Já a fabricante de equipamentos de telecomunicações Motorola também anunciou resultados trimestrais fracos referentes ao quarto trimestre e que a recuperação do desempenho positivo no setor de produção de telefones celulares vai levar mais tempo que o previsto. As ações da Apple chegaram a cair 19% hoje, enquanto as da Motorola recuaram até 21%.
A notícia que aliviou os mercados veio no final da tarde. Em uma reunião convocada de última hora, discutiu-se a injeção de capital para seguradoras de créditos como a Ambac e a MBIA, empresas expostas ao risco de empréstimos no país. Bancos clientes dessas seguradoras teriam concordado em fazer uma capitalização de US$ 15 bilhões.
A reação de hoje pode ser interpretada como um dia de recuperação após fortes perdas, mas não como contentamento sobre as medidas do governo norte-americano para deter uma possível recessão nos EUA. Ontem, o Federal Reserve (banco central dos EUA) ajustou os juros básicos americanos de 4,25% ao ano para 3,50%, em reunião extraordinária. A medida, que foi saudada num primeiro momento por investidores e analistas, logo se tornou um fator a mais de nervosismo.
A ação do Fed pretende fornecer um novo estímulo à economia norte-americana e evitar uma recessão. O governo americano também vem agindo: na semana passada, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou as linhas gerais de um plano de estímulo à economia do país; entre as medidas a constarem do plano está um incentivo fiscal de cerca de US$ 145 bilhões.
Na Europa as Bolsas fecharam em queda, com o sinal de que o BCE (Banco Central Europeu) não irá seguir a trilha do Fed, devido aos temores de inflação nas economias da zona do euro; os ganhos registrados ontem foram revertidos hoje.
Pela manhã, as Bolsas asiáticas ainda fecharam em alta, com investidores animados com a decisão do Fed.
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