Dinheiro
23/01/2008 - 20h37

Indústria critica Copom e defende retomada da queda dos juros

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da Folha Online

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) defenderam nesta quarta-feira que o Copom (Comitê de Política Monetária) volte a reduzir os juros básicos no país. Em decisão unânime, nesta quarta, o BC (Banco Central) decidiu manter a Selic em 11,25% ao ano.

A decisão "não surpreendeu, uma vez que já foi sinalizada nas atas anteriores", afirmaram os economistas da CNI. De acordo com eles, "os sinais de manutenção da robusta taxa de crescimento da demanda interna em um ambiente de incertezas quanto ao cenário prospectivo da inflação são as justificativas do Copom para a manutenção".

Os técnicos da CNI, porém, "disseram entender que a decisão de efetuar cortes substanciais nos gastos no orçamento de 2008, em função da perda da arrecadação da CPMF, deverá promover maior sintonia entre as políticas monetária e fiscal ao longo do ano e permitir a retomada da trajetória de queda da Selic".

A CNI também justificou a necessidade de mais cortes nos juros com o aumento do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), anunciado pelo governo, que já eleva por si só "o custo dos tomadores de crédito, com impactos negativos sobre a atividade produtiva".

Fiesp

A Fiesp, por sua vez, destacou que o governo brasileiro agiu na contramão ao resto do mundo, como o Fed (Federal Reserve, o BC norte-americano), que em decisão extraordinária baixou a taxa de juros nos EUA em 0,75 ponto percentual, para 3,5% ao ano.

"Esse posicionamento aumentará, ainda mais, o diferencial de juros do Brasil em relação às economias internacionais", diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, que vê contradição na decisão do Copom.

"A crise é lá, nos Estados Unidos, e eles reduzem os juros e desoneram impostos. Enquanto isso, aqui no Brasil, quando o fim da CPMF traz condições para redução da Selic --de acordo com estudo do próprio Banco Central--, a área econômica do governo opta por uma conduta equivocada e que desestimula o crescimento", afirmou por meio de nota.

 

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