Analista vê chance de juros menores somente no segundo semestre
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
Sem surpresas na decisão de hoje do Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado vai aguardar com expectativa a ata desta reunião, com divulgação prevista para semana que vem.
O tom desse documento deve sinalizar por quanto tempo o Comitê pretende manter a taxa Selic em 11,25% ao ano. Há poucas expectativas, porém, que haja uma nova redução dos juros antes do segundo semestre.
Para o consultor Pedro Vartanian, da Trevisan Consultoria, até o segundo semestre haverá tempo suficiente para o Comitê avaliar os efeitos dos últimos cortes sobre o aquecimento econômico, bem como as turbulências da cena externa. Ele também conta com a valorização cambial para afastar os temores atuais sobre a inflação, que hoje está muito próxima das metas da equipe econômica (4,5%).
"Agora, no segundo semestre, com o Fed [banco central dos EUA] cortando os juros e a taxa Selic em nível alto, fica cada vez mais atraente para o investidor estrangeiro aplicar por aqui. Isso deve ter efeito sobre o dólar, e pode derrubar os preços", afirma ele.
Nesse caso, "o Copom pode dar pelo menos uns dois cortes no segundo semestre, possivelmente de 0,25 ponto percentual", estima o consultor.
No cenário mais pessimista, analistas não descartam a possibilidade de uma "alta preventiva" dos juros. "A deterioração do balanço de riscos inflacionários, observada recentemente, tem reduzido sensivelmente a margem de segurança da política monetária", anota Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.
"Essa situação requer um Banco Central mais vigilante" e preparado para "para adequar prontamente a estratégia de política monetária, caso verifique piora importante no perfil de riscos", acrescenta.
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