Dinheiro
24/01/2008 - 17h07

Bolívia se reúne amanhã com Argentina para resolver questão do gás

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da France Presse, em La Paz

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se reunirá nesta sexta-feira com a colega Cristina Kirchner, da Argentina, para definir o volume de gás natural boliviano a ser fornecido para Brasil e Argentina, diante da impossibilidade de suprir os valores previamente estabelecidos, informou o governo nesta terça-feira.

Morales definirá politicamente as quantidades que serão exportadas para a Argentina e preparará terreno para a futura reunião que contará também com o Brasil, segundo fontes governamentais.

A Bolívia enfrenta problemas para superar em 2008 o teto de produção de 42 milhões de metros cúbicos diários de gás (MMCD), destinados prioritariamente para atender o mercado de São Paulo e para suprir o consumo interno, que equivale a 6 MMCD.

As quantidades flutuantes são bombeadas com dificuldade para a Argentina, que demanda entre 5,5 e 7,7 MMCD, segundo os contratos firmados entre os presidentes Evo Morales e Néstor Kirchner em julho de 2006.

Devido a sua limitada capacidade produtiva, a Bolívia também tem dificuldades para abastecer a usina termoelétrica de Cuiabá, no Mato Grosso, para onde bombeia 1,1 MMCD com algumas interrupções eventuais.

"Para não ter nenhum problema este ano, é importante que a Bolívia, como fornecedor, e Brasil e Argentina, como países consumidores, possam regular o envio de gás quando houver una demanda maior", informou recentemente o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, integrará a delegação que estará na sexta-feira em Buenos Aires.

O governo de La Paz, que nacionalizou os hidrocarbonetos em maio de 2006, tenta a todo custo aumentar os investimentos privados das 12 empresas multinacionais que operam na Bolívia para aumentar sua capacidade produtiva.

O país havia anunciado que, em 2008, essas empresas --entre as quais figuram a brasileira Petrobras, a espanhola Repsol, a holandesa Shell, a britânica British Petroleum e a francesa Total-- investirão US$ 976 milhões, quase o dobro em relação a 2007.

O ministro Villegas afirmou que a Bolívia não conseguirá cumprir com seus acordos de fornecimento, mas que até 2009 esse quadro será revertido com folga, e que em 2010 o país terá duplicado seu atual volume de produção.

A Bolívia precisará de até 80 milhões de MMCD, já que os contratos assinados no ano passado entre Morales e o então presidente Néstor Kirchner estabelecem o fornecimento para a Argentina a partir de 2010 em 16 MMCD, chegando a 27,7 MMCD após a construção do Gasoduto Nordeste Argentino, que abastecerá as províncias de Salta, Formosa, Chaco, Misiones, Corrientes e Entre Ríos.

 

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