Wall Street fecha em alta com pacote de incentivo e dados de desemprego
da France Presse, em Nova York
da Folha Online
A Bolsa de Nova York fechou nesta quinta-feira em alta pelo segundo dia consecutivo, mostrando uma reação positiva à baixa inesperada dos pedidos de seguro contra o desemprego nos Estados Unidos: o Dow Jones subiu 0,87% e o Nasdaq, 1,92%. A recuperação não foi maior, provavelmente, influenciada pelas preocupações sobre as empresas de seguro de crédito.
O Dow Jones Industrial Average (DJIA) subiu 108,44 pontos, chegando aos 12.378,61, e o Nasdaq, 44,51 pontos, alcançando os 2.360,92 pontos, segundo os números definitivos do fechamento.
O índice ampliado Standard and Poor's 500 acompanhou a tendência e subiu 13,54 pontos, fechando em 1.352,14 (alta de 1,01%).
"Como ocorreu no começo da semana, a sessão foi muito agitada. Há muita volatilidade", resumiram os analistas do site de informações financeiras Briefing.com.
Na abertura as Bolsas subiam, impulsionadas pelos dados sobre emprego. O Departamento do Trabalho informou hoje que o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA totalizou 301 mil na semana encerrada no último dia 19. Foi a quarta semana consecutiva de recuo, o que foi recebido como sinal positivo sobre o mercado de trabalho norte-americano, depois dos dados de dezembro --quando a taxa de desemprego subiu de 4,7% para 5%.
Os ganhos foram quase revertidos, no entanto, com a notícia de que a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou sua classificação sobre a empresa de seguro de crédito Security Capital Assurance. O setor, que já vinha sentindo os efeitos da crise de crédito, ainda recebeu ontem a notícia de que a Ambac teve uma perda no quarto trimestre de US$ 3,255 bilhões (US$ 31,85 por ação), muito acima da expectativa dos analistas (US$ 3,51 por ação).
A Fitch rebaixou a nota da Security Capital referente a solidez financeira para "A", contra uma nota anterior de "AAA". As empresas nesse ramo asseguram as emissões de títulos das pessoas que recebem empréstimos e que não estão em condição de dar todas as garantias possíveis aos mercados financeiros. Para isso, é imprescindível a classificação "AAA", a mais alta possível. Os papéis da Security Capital chegaram a cair 23%.
As autoridades reguladoras do setor financeiro nos EUA vêm pressionando os bancos para que ajudem as empresas do setor de seguro de crédito.
As ações da Ford Motor tiveram queda de 2,1%, depois de anunciar um prejuízo de US$ 2,7 bilhões no quarto trimestre (que, no entanto, ficou abaixo do registrado um ano antes, de US$ 5,6 bilhões).
Pacote
Os investidores também tentam digerir o anúncio feito hoje do acordo preliminar entre governo e Congresso para elaborarem um pacote de alívio fiscal, a fim de estimular a economia americana. O plano, que teve suas linhas gerais anunciadas na semana passada por George W. Bush, é esperado com ansiedade pelos mercados mundiais, que enfrentam fortes oscilações nas últimas semanas pelo temor de recessão nos EUA.
O acordo deve incluir restituições entre US$ 300 e US$ 1.200 e cortes de impostos. O objetivo é que a economia reverta o atual ritmo de desaceleração e o consumo das pessoas, principal pilar da economia dos EUA, volte a crescer.
O pacote de incentivos para as empresas ainda não estava delineado. Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), no entanto, os dois líderes na Casa dos Representantes concordaram em permitir, de imediato, uma dedução de 50% nos impostos sobre as compras de unidades de produção e outros bens de capital.
Além disso, as pequenas empresas terão mais facilidades em deduzir despesas de suas declarações e as que vêm registrando perdas conseguiram restituições sobre impostos já pagos.
Um exemplo da instabilidade foi a reação ao corte extraordinário dos juros básicos nos EUA, de 4,25% ao ano para 3,50%. Num primeiro momento, houve relativa euforia nos mercados, abrindo espaço para recuperação. No dia seguinte, porém, pesou a avaliação que uma medida tão drástica do banco central americano somente sinaliza o que todos temem: que a recessão já está "na porta" dos EUA.
Na Ásia, após quedas de até 10%, a Bolsa de Tóquio fechou em alta de 2,06%, enquanto o mercado de Seul valorizou 2,12%. Na Europa, as Bolsas subiram com a expectativa pela ajuda dos bancos às empresas de seguro de crédito.
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