Polícia prende operador francês acusado de fraudar banco em US$ 7 bilhões
da Folha Online
Atualizado às 16h45
A polícia francesa prendeu o operador de Bolsa Jerome Kerviel, 31, acusado de arquitetar um esquema de fraude responsável por uma fraude de cerca de US$ 7,16 bilhões do banco francês Société Générale. A promotoria de Paris, que investiga o caso, considera esta a maior fraude da história do setor bancário atribuída a apenas uma pessoa.
Um dos mais lucrativos bancos europeus, o Société Générale, fundado há 140 anos, é a quarta maior instituição européia em ativos e o terceiro maior banco da França. O valor de US$ 7 bilhões fraudado por Kerviel é superior à soma dos lucros dos bancos Itaú e Bradesco nos nove primeiros meses de 2007.
De acordo com fontes judiciais, Kerviel está sendo interrogado na sede da Brigada Financeira da polícia francesa. Ele foi transferido neste sábado pouco antes das 11h (no horário de Brasília) para a sede desta polícia especializada, em meio a uma importante operação de segurança, segundo uma fonte envolvida na investigação.
| Reuters |
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| Jerome Kerviel seria o responsável por um desvio de US$ 7,16 bilhões; promotoria considera esta a maior fraude da história |
O operador não era visto em público desde que o banco anunciou a descoberta da fraude, na quinta-feira (24). Ontem, a polícia visitou o local em que Kerviel trabalhava no Société Générale e apreendeu arquivos de computador.
A residência em que ele vive nos arredores de Paris também foi revistada. A promotoria informou, porém, que não foram apreendidos documentos no apartamento. Segundo os vizinhos, Kerviel não aparecia ali havia várias semanas.
Fraude
O operador envolvido no suposto esquema de fraude era responsável por negociar papéis chamados de "plain vanilla" --instrumento financeiro de tipo mais simples, em geral na forma de opções de ações, títulos ou contratos futuros.
Ele assumiu posições fraudulentas no ano passado e neste ano por meio de um "esquema de transações fictícias", segundo explicou o banco, abusando do acesso que tinha a informações sobre os sistemas de segurança do grupo.
"As transações realizadas na fraude eram simples, mas foram dissimuladas por técnicas extremamente sofisticadas e variadas", disse no dia do anúncio da fraude o presidente do Société Générale, Daniel Bouton.
Daniel Bouton chamou Kerviel de "fraudador" e "terrorista". "O profundo conhecimento do funcionário em relação aos procedimentos de controle, adquirida durante suas atividades anteriores no grupo, permitiram que ele dissimulasse suas posições graças a uma montagem elaborada de transações fictícias", disse em comunicado do banco.
Segundo o comunicado, Jerome Kerviel assumiu a fraude e seu processo de demissão já foi iniciado. Os supervisores imediatos ligados a ele também serão demitidos.
Os executivos do Société Générale foram alertados quanto à fraude pela primeira vez na noite do dia 18 de janeiro (uma sexta-feira), por outro operador. Segundo o jornal "Financial Times", naquele momento Kerviel havia acumulado prejuízos de 1,5 bilhão de euros, mas que se multiplicaram na segunda-feira seguinte, com a queda global nos mercados de ações, temerosos por uma recessão nos EUA.
Perdas
Depois de descoberta e comunicada a fraude, o banco anunciou que irá fazer uma redução de US$ 2,99 bilhões em seus ativos ligados ao mercado de créditos de risco (empréstimos a pessoas com histórico de inadimplência).
Com a fraude, o banco espera agora que seu lucro líquido de 2007 fique entre US$ 877 milhões e US$ 1,16 bilhão, valor será bem menor do que o lucro obtido em 2006, de 5,22 bilhões de euros (US$ 7,6 bilhões).
Para enfrentar as perdas anunciadas, o Société Générale informou que irá realizar nos próximos dias uma operação de aumento de capital, de 5,5 bilhões de euros (US$ 8 bilhões).
Desde que o caso foi revelado, porém, as explicações do banco provocaram incredulidade no mercado, pois analistas não acreditam que um homem sozinho teria condições de provocar um prejuízo tão grande. Alguns chegaram inclusive a acusar a empresa de ter tentado dissimular perdas atribuindo tudo a apenas um corretor.
Bouton se defendeu das acusações em entrevista ao jornal "Le Figaro". "O que aconteceu no Société Générale não tem nada a ver com uma catástrofe que foi produto de nossa estratégia. Isto se assemelha a um incêndio voluntário que teria destruído uma grande fábrica de um grupo industrial", disse.
Sobre a hipóteses de dissimulação foi taxativo: "Isto não faz sentido, nem em nível técnico nem em nível contábil".
Brasil
O banco Société Générale atua no Brasil com o banco de investimentos e financiamentos Société Générale Brasil, além da corretora Fimat. No ano passado, também concluiu a compra do Banco Cacique.
Com informações das agências Reuters e Associated Press
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