Dinheiro
27/01/2008 - 15h01

Fórum de Davos termina em meio a temor de recessão

da Efe, em Davos

O Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) encerrou neste domingo (27) os cinco dias de debates entre políticos e líderes empresariais, com o temor sobre o início de um freio do crescimento global e a dúvida sobre se China e Índia serão os motores da economia mundial, caso os Estados Unidos entrem em recessão.

Mesmo com a declaração da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, na terça-feira (22) --dia da abertura da reunião-- de que a economia americana "continuará sendo o motor que guia o crescimento econômico mundial", os debates entre políticos, empresários e especialistas não dissiparam os temores.

A presidente da multinacional PepsiCo, Indra Nooyi, co-presidente desta reunião do Fórum Econômico Mundial e considerada a mulher mais poderosa no mundo dos negócios, afirmou, no debate final, que "este será o primeiro grande teste" para as grandes economias asiáticas.

"Não estamos preocupados com 2008, porque o mundo é muito global, e a grande força da China, Índia e outras economias asiáticas ficou manifestada nos últimos anos", disse.

"Este será o primeiro grande teste. Veremos se o motor do crescimento mundial é somente os Estados Unidos ou o equilíbrio de poder realmente se movimentou e se distribuiu pelo mundo", disse Nooyi.

"Não estou pessimista. Pode haver um freio [ao crescimento], isso é possível, mas vamos esperar e ver", disse.

Mudança

Também foi muito revelador o discurso de Wang Jianzhou, outro co-presidente do Fórum e presidente da China Mobile Communications Corporation. "Há três anos, quando vim pela primeira vez ao Fórum, a pergunta que me faziam era como o alto crescimento da China e Índia pode afetar outros países, e isso era visto como uma ameaça".

"Mas, este, ano me fizeram outra pergunta: qual será o efeito se o crescimento econômico da Índia e da China diminuir, devido a uma recessão mundial?", disse. Em tom de ironia, respondeu: "Se houver uma recessão no mundo, afetará a China, mas não muito".

Os números não deixam dúvidas sobre a força do consumo interno chinês: a China Mobile Communications Corporations, por exemplo, possui 370 milhões de assinantes e a cada mês ganha 6 milhões de novos clientes, informou Wang.

Um consumo interno forte, as exportações e os investimentos de capital são os três elementos-chave do crescimento chinês, disse o presidente da empresa de telefonia.

Em relação à pobreza e ao subdesenvolvimento, o Fórum também serviu de plataforma para chamar a atenção de diferentes personalidades sobre o lento progresso em direção ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas) e a dificuldade em que sejam alcançados na data prevista, em 2015.

 

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