Publicidade

Dinheiro
28/01/2008 - 11h31

Turbulência nos EUA eleva busca por renda fixa e DI

Publicidade

FABRICIO VIEIRA
da Folha de S.Paulo

O investidor brasileiro até que demonstrou ter sangue-frio neste período de crise, ao não correr para sacar suas aplicações dos fundos de ações. Porém, buscar um porto seguro acabou por ser a tônica: os fundos de renda fixa e DI lideram as captações de recursos neste começo de 2008.

Os fundos DI receberam líquidos R$ 6,35 bilhões neste ano até o último dia 21. Os fundos de renda fixa tiveram captação líquida (diferença entre saques e aplicações) de R$ 5,55 bilhões. O levantamento foi realizado pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

Para os fundos de ações, a captação líquida neste ano tem sido positiva, mas em ritmo bem menos intenso, ficando em R$ 674,1 milhões.

O que o investidor viu neste ano até o momento é o mercado acionário oscilando intensamente. Para a Bolsa de Valores de São Paulo, o resultado foi o de desvalorização acumulada de 10,05% em 2008.

Na outra ponta, os juros estão estáveis. Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) decidiu manter os juros básicos --referência para as outras taxas praticadas no mercado-- em 11,25% anuais. A expectativa dos analistas é que a taxa básica de juros seja mantida ao menos neste primeiro semestre.

"Seria normal, neste momento turbulento, que alguns investidores que não estão preparados para a volatilidade e passaram a aplicar em ações retornassem para a renda fixa e os fundos DI", avalia Mauro Halfeld, consultor financeiro e professor da Universidade Federal do Paraná.

"Um problema que vejo é o de o mercado ficar bombardeado de informações. Há um exagero, e qualquer notícia sacode a Bolsa. Nesse cenário, muitos investidores acabam não sabendo para onde ir. É muito difícil tomar decisões neste curto prazo que tem sido bem volátil", afirma Halfeld.

No ano passado, marcado pela alta expressiva da Bovespa e pelo contínuo processo de redução dos juros básicos brasileiros, o que se viu foi uma entrada mais vigorosa de recursos nos fundos de ações e uma saída maciça de capital dos fundos DI e de renda fixa. Juntas, essas duas categorias, que seguem a oscilação das taxas de juros, tiveram resgates líquidos de quase R$ 24 bilhões em 2007.

Já os fundos de ações tiveram captação positiva de R$ 18,29 bilhões no ano passado.

Como a volatilidade que marcou os mercados nas últimas semanas não deve ser superada tão cedo, os investidores terão de ter muita paciência para definir qual o melhor rumo a dar a suas aplicações.

A volatilidade se refere à intensidade e à freqüência das oscilações dos valores de ações e outros ativos (como títulos da dívida).
Sendo um importante parâmetro para medir o risco de uma aplicação, quanto maior for a volatilidade, maiores as dificuldades de projetar altas e baixas para um investimento.

Turbulências

"A Bolsa ainda vai ter muita oscilação, pelo menos no 1º trimestre. Nosso mercado está muito atrelado à cena internacional, que ainda promete muita turbulência", afirma Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora.

A semana passada deu um bom exemplo do que é um mercado acionário com muita oscilação. Logo na segunda-feira, o índice Ibovespa, que agrupa as 64 ações de maior liquidez, registrou desvalorização bastante forte de 6,60%.

Depois de muito sobe-e-desce, teve na quinta-feira seu melhor pregão desde outubro de 2002, ao subir 5,95%.

Isso demonstra que correr para se desfazer de ações logo quando a Bolsa cai pode não ser a melhor solução. Especialmente nesses momentos de maior volatilidade, o mercado pode se recuperar com maior rapidez. E quem se desfez rapidamente de seus papéis, assustado com a queda da Bolsa, pode acabar por perder a chance de recuperar ao menos parte das perdas.

"Notamos que há pelo menos dois tipos de novatos que têm entrado na Bolsa. Um é aquele que entende a Bolsa como investimento de longo prazo. O outro, que parece ser a maioria, foi buscar a Bolsa como uma aplicação de curto prazo. O ruim é que houve algum exagero nisso", afirma o consultor financeiro Halfeld.

A Bolsa brasileira tem acompanhado o cenário internacional, que entrou em um período mais turbulento no segundo semestre do ano passado.

O epicentro das turbulências foi a crise do setor de crédito imobiliário de alto risco dos Estados Unidos, chamado de "subprime", que trouxe pesados prejuízos a grandes bancos internacionais.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca