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Dinheiro
28/01/2008 - 12h21

Bush ficará com custo político da atual crise nos EUA, diz jornal

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da Folha Online

De um ponto de vista estritamente econômico, o presidente americano, George W. Bush, não pode ser culpado pela atual crise nos EUA, que ameaça jogar a economia do país em uma recessão, mas ele dificilmente conseguirá se livrar do custo político, segundo artigo publicado nesta segunda-feira pelo diário americano "The New York Times".

Segundo o artigo, a expansão econômica após a recessão em 2001 (na seqüência dos ataques contra o World Trade Center, em 11 de setembro daquele ano) veio na esteira de cortes de impostos que beneficiaram principalmente os mais ricos no país e, se terminar seu governo com o país em recessão, ele dificilmente poderá destacar pontos positivos na área econômica em sua gestão.

Hoje Bush deverá anunciar o esperado pacote de alívio fiscal, anunciado por ele no último dia 18 e sobre o qual republicanos e democratas no Congresso chegaram a um acordo prévio na semana passada. O anúncio deverá ser o foco central de seu discurso do estado da Nação (o último de seu segundo mandato).

No sábado (26), Bush disse em seu pronunciamento semanal de rádio que o pronunciamento de hoje irá tratar "primeiro da economia", segundo o site da Casa Branca. No programa de rádio, Bush disse que, apesar da preocupação dos americanos com o risco de uma desaceleração da economia devido à instabilidade no mercado imobiliário, "os fundamentos para o crescimento a longo prazo permanecem sólidos".

O acordo preliminar sobre o pacote inclui medidas como restituições entre US$ 300 e US$ 1.200 e cortes de impostos. O pacote irá incluir ainda medidas para empresas, a fim de estimular novos investimentos --como a permissão, de imediato, uma dedução de 50% nos impostos sobre as compras de unidades de produção e outros bens de capital, informou na semana passada o diário americano "The Wall Street Journal".

Na sexta-feira (25), Bush também já havia adiantado mais alguns detalhes do que deverá anunciar hoje. Ele disse, no evento "Congress of Tomorrow", em White Sulphur Springs (no Estado da Virgínia Ocidental, leste do país), que o pacote "é grande o suficiente para a fetar a economia de maneira positiva".

Segundo Bush, o pacote inclui apenas medidas de alívio fiscal, "sem aumentos de impostos, sem gastos desnecessários ou projetos regulatórios", mas ressaltou que a medida é temporária. "É um pacote sólido. Ele faz muito sentido. É necessário e é preciso aprová-lo tão rapidamente quanto possível para deixar o dinheiro nas mãos das pessoas que irão ajudar a economia a permanecer forte", disse Bush, aos congressistas que estavam no evento.

Bush reconheceu as "incertezas" no cenário econômico americano e disse que, "depois de pensar muito, pedi ao Congresso, e seus líderes responderam, para agir e criar um pacote de crescimento, a fim de que possamos reduzir o risco de um declínio econômico neste ano".

No terceiro trimestre do ano passado, a economia americana cresceu 4,9%, mas, para o quarto trimestre, a expectativa é de um avanço de apenas 1% (ou até menos, segundo analistas). A primeira prévia sobre o crescimento da economia no trimestre passado deve ser anunciado nesta quarta-feira.

Para o primeiro trimestre deste ano, por sua vez, alguns economistas prevêem um resultado negativo do PIB (Produto Interno Bruto). Uma recessão é caracterizada por dois trimestres concecutivos de PIB negativo.

Fed

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) também tem agido para tentar evitar que a economia caia em uma recessão. Na semana passada o Fed cortou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50%. O corte foi o primeiro realizado fora de uma reunião regular do banco desde os atentados de 11 de Setembro.

Amanhã e quarta-feira deve ocorrer a reunião regular do banco, com o anúncio da taxa de juros na quarta. A expectativa é por um novo corte (de 0,25 ponto percentual, segundo as estimativas mais moderadas, e de 0,50 ponto percentual para os analistas que esperam uma nova medida agressiva por parte do banco). No ano passado, o Fed reduziu a taxa de juros em três ocasiões consecutivas --setembro (0,50 ponto percentual); outubro (0,25 ponto percentual); e dezembro (0,25 ponto percentual).

 

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