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Dinheiro
28/01/2008 - 13h33

Vendas de casas novas nos EUA têm pior resultado desde 1980

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da Folha Online

Atualizado às 14h25

As vendas de casas novas nos EUA tiveram um declínio de 26,4% em 2007, fechando o ano com a venda de 774 mil unidades. Foi o pior resultado desde 1980, quando houve queda de 23,1%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Departamento do Comércio.

Segundo o departamento, o preço médio de um imóvel residencial novo teve um ligeiro aumento de 0,2%, ficando em US$ 246.900, menor avanço desde o registrado em 1991, quando houve queda de 2,4%.

Os dados foram recebidos como sinal de que a crise no mercado imobiliário nos EUA (que está na raiz da crise que atingiu o mercado de hipotecas de risco e acabou por evoluir para o mercado de crédito de um modo geral) está em um de seus piores momentos.

O resultado fraco refletiu o desempenho baixo em todas as regiões do país exceto a região Nordeste, onde as vendas tiveram um ligeiro aumento de 1,6%. Já no Oeste do país, houve queda de 32,2%; no Meio-Oeste, queda de 26,7%; e no Sul, de 26,3%.

Em dezembro, as vendas de casas novas tiveram uma queda de 4,7%, desempenho que se seguiu a um recuo de 12,6% em novembro. O preço médio dos imóveis residenciais novos no mês passado ficou em US$ 219.200 --queda de 10,4% em relação ao mesmo mês de 2006, maior já registrado nessa comparação em 37 anos.

Para 2008, a expectativa dos analistas é de mais quedas de preço, enquanto o estoque de casas novas à venda no país estiver em níveis altos. Ao ritmo de dezembro, o estoque levaria 9,6 meses para ser eliminado --maior período desde outubro de 1981, quando o período estimado foi de 10,3 meses.

Na semana passada, a NAR (Associação Nacional de Corretores de Imóveis, na sigla em inglês) informou que as vendas de casas usadas nos EUA caiu 2,2% em dezembro e o preço médio das casas caiu 1,8%, para US$ 217 mil. Foi o primeiro ano a terminar com queda de preços desde 1968.

Em 2007 como um todo, as vendas tiveram queda de 12,8%, maior desde a de 17,7% vista em 1982, segundo o economista-chefe da NAR, Lawrence Yun.

O estoque de casas usadas à venda recuou 7,4%, o que foi visto como um sinal positivo: para que o mercado retome seu ritmo normal, o estoques à venda tem de ser reduzido para que as construtoras voltem à atividade.

O mercado imobiliário está na raiz da atual situação de crise nos EUA; com o 'boom' visto no setor entre 2001 e 2005, os preços subiram com a alta expressiva da demanda. Com a política de altas de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano), na qual as taxas passaram de 1% para 5,25% em uma série de ajustes consecutivos, os juros dos financiamentos imobiliários e das hipotecas também subiram.

Com juros mais altos, a inadimplência no pagamento de hipotecas (em particular as do segmento chamado de "subprime", de maior risco) aumentou, afetando o mercado de crédito em geral. Com condições mais restritivas de acesso ao crédito, a atividade econômica do país vem decaindo --uma vez que o consumo registra declínio (e cerca de 70% da atividade econômica do país é movimentada pelo consumo).

 

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