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Dinheiro
28/01/2008 - 14h26

Alavanca de lucro recorde do Bradesco, crédito deve crescer 25% em 2008

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

Principal fator de expansão do lucro do Bradesco em 2007, o crédito deve manter a força em 2008. Após crescer 36,5% (sem avais e fianças) no ano passado e responder por 25% da origem do resultado recorde apresentado hoje, a carteira de crédito deve crescer entre 21% e 25% em 2008, segundo as projeções do banco.

Nem mesmo a crise de crédito de alto risco ("subprime") nos Estados Unidos e a perspectiva de desaceleração da economia mundial devem interferir no desempenho.

"Não dá para se preocupar com a crise externa. O Brasil vai sentir um arranhão, mas não vai afetar a economia, que vem crescendo como jamais visto nos últimos anos. Não achamos que o exterior deva prejudicar o crédito no Brasil, que deve crescer entre 21% e 25% neste ano", disse o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano.

O Bradesco anunciou, nesta segunda-feira, crescimento de 58,5% do lucro líquido em 2007, na comparação com 2006, em R$ 8,010 bilhões, valor recorde para um banco no país. O lucro líquido do quarto trimestre do ano passado foi de R$ 2,193 bilhões --um crescimento de 21,2% em relação ao do terceiro trimestre, R$ 1,810 bilhões.

Os destaques no segmento de crédito em 2007 no Bradesco --cuja carteira cresceu 38,9% e totalizou R$ 161,4 bilhões no último mês do ano, incluindo avais e fianças e valores a receber com cartão de crédito-- foram o consignado (pessoa física) e o oferecido para as pequenas e médias empresas.

"A aquisição do BMC [banco especializado em crédito consignado] está dando resultado no crédito consignado, junto com a expansão de crédito de veículos e imobiliário. O consignado é o que mais deve crescer e é uma preferência do Bradesco pela originação própria", disse.

No ano passado, o crédito consignado teve alta de 59,1% no ano, atingindo R$ 6,1 bilhões em dezembro. Para 2008, a expectativa é de crescimento entre 90% e 100%, segundo projeções do Bradesco.

A carteira de crédito de pessoa física como um todo cresceu 34,2% no ano (incluindo avais e fianças e valores a receber com cartão de crédito), somando R$ 59,3 bilhões em dezembro de 2007.

Na concessão de crédito para pequenas e médias empresas, a alta foi de 46,7% no ano, a R$ 43,9 bilhões em dezembro. Para as grandes empresas, a expansão foi de 38,2% no ano, a R$ 58,2 bilhões em dezembro.

"Até 2006, o crescimento foi maior para pessoa física. Mas em 2007, as pequenas e médias empresas começaram a desengavetar projetos e os recursos estão fartos. Grande parte é repasse do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], para máquinas e equipamentos, mais especialmente por conta do Finame", explicou Cypriano.

O presidente do Bradesco também destacou o recuo do índice de inadimplência (maior de 90 dias) das micro, pequenas e média empresa, em 2,5% em dezembro --abaixo dos 3,3% total. O da pessoa física ficou em 6% e o de grandes empresas, em 0,4%.

Economia

Apesar de negar os reflexos da turbulência mundial, Cypriano trabalha com expansão do PIB (Produto Interno Bruto) de 4,5% em 2008 e 4,15% em 2009. A projeção de juros indica Selic igual à atual, de 11,25% no final do ano, e 10,75% em 2009. Para a inflação, o Bradesco projeta IPCA (Índice de Preços ao Consumidor)de 4,5% para este ano e 4% em 2009, e para o câmbio, R$ 1,75 no final deste ano e R$ 1,80 no próximo.

O foco de expansão neste ano se mantém no mercado brasileiro, segundo Cypriano, que afirmou que "nenhum outro banco está tão preparado para atender o crescimento da economia como o Bradesco, com potencial de crescimento muito forte".

Quanto ao comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) na última sexta-feira sobre uma possível compra da corretora Ágora, Cypriano limitou-se a afirmar que está o negócio está sendo avaliado e que tem importância para o Bradesco.

"A Ágora é a segunda corretora do país em ações negociadas na Bovespa [Bolsa de Valores de São Paulo] e é importante para o Bradesco", disse.

 

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