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Dinheiro
28/01/2008 - 18h17

Apesar de crise, investimento estrangeiro no Brasil bate recorde em janeiro

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

Apesar da crise nos mercados financeiros ao redor do mundo, que temem uma recessão nos Estados Unidos, maior economia do planeta, os investimentos estrangeiros diretos no país já registram recorde neste ano.

Até o dia 28 deste mês, entraram no Brasil US$ 4 bilhões, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central). A expectativa é que os investimentos fechem janeiro em US$ 4,5 bilhões.

Por outro lado, a má notícia do dia trata da saída de investidores de aplicações financeiras no Brasil em janeiro As saídas somam US$ 1,8 bilhão, de acordo com número divulgados hoje pelo Banco Central.

Os dados de investimento estrangeiro levam em conta recursos vindos do exterior para o setor produtivo e ainda empréstimos intercompanhias (de uma matriz para a filial, por exemplo), sendo abatidas as remessas feitas por conta de ganho com o capital investido.

"Isso ocorre em um momento de volatilidade dos mercados, o que demonstra interesse dos investidores estrangeiros em investir no Brasil", afirma Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC.

Para Lopes, esse fluxo continuará positivo no decorrer do ano. "A nossa percepção é que ele não pára por aí", afirmou, lembrando que o montante supera os investimentos feitos durante as privatizações da década de 90.

A expectativa do BC é que em 2008 entrem no país US$ 28 bilhões em novos investimentos --o dado pode ser revisado no decorrer do ano.

Dos US$ 4 bilhões que entraram em janeiro, a maior operação foi de US$ 700 milhões referente ao acordo entre BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e CME (Chicago Mercantile Exchange). Como o acordo foi feito por meio de uma troca de ações, foi registrada a saída de US$ 700 milhões em investimentos estrangeiros no exterior.

Mercado

Analistas esperam que uma parte dos recursos externos que saíram do país, por conta da turbulência dos mercados financeiros, retorne num momento em que o cenário econômico esteja mais definido.

"O ano de 2008 será o da bolha das Bolsas de [economias] emergentes, porque as ações vão subir por conta do fluxo de investidores e não do crescimento dos lucros das empresas", afirma Andre Delben, gestor da Advisor Asset Management.

Para Delben, os preços das ações subiram rápido demais, sob expectativa de lucros que não necessariamente acompanharam essas estimativas. Dessa forma, para que a Bolsa de Valores continue a valorizar será preciso uma injeção de "dinheiro novo".

2007

No ano passado, os investimentos estrangeiros diretos chegaram a US$ 34,616 bilhões, o maior valor já registrado em um único ano e quase o dobro do registrado em 2006 (US$ 18,782 bilhões). Apesar do recorde, o valor está pouco abaixo dos US$ 35 bilhões previstos pelo Banco Central.

Em dezembro, apenas, esses investimentos somaram US$ 886 milhões, uma queda de 64% em relação ao mesmo mês do ano anterior (US$ 2,487 bilhões).

Esses investimentos diretos estão disseminados em diversos setores (financeiro, comércio e indústria), informa o BC.

Segundo o economista, os investimentos diretos estão ligados aos fundamentos da economia brasileira. Porém, a possibilidade de saída em outros investimentos, como em ações, são esperadas não só pelo momento de volatilidade dos mercados, mas também das medidas anunciadas pelo BC no ano passado --exigência de maior capital dos bancos para servir como garantia nas operações de câmbio.

Más notícias

Se de um lado os investimentos estrangeiros são boas notícias, na outra ponta aparece a saída de investidores de aplicações financeiras no Brasil. Só em janeiro, de acordo com número divulgados hoje pelo BC, o fluxo financeiro --que engloba as aplicações e retiradas de investimentos das bolsas de valores e de títulos públicos-- registra saídas líquidas de US$ 1,8 bilhão.

"Há perdas nas Bolsas do mundo inteiro, e é natural que ocorra aqui também", diz Altamir Lopes.

Também está negativo o saldo da conta que mede a entrada e saída de dólares do país, o chamado câmbio contratado. As saídas superaram as entradas em US$ 1,648 bilhão até o dia 24 de janeiro deste ano --em 2007, o mês de janeiro encerrou com saldo positivo de US$ 3,77 bilhões.

A saída de recursos do Brasil ocorre em um momento de novas turbulências no mercado externo. Os investidores vendem seus papéis por aqui para cobrir dívidas e perdas lá fora.

 

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