Publicidade

Dinheiro
29/01/2008 - 01h48

Bush pede confiança na economia apesar do "momento de incertezas"

Publicidade

da Folha Online

O presidente norte-americano, George W. Bush, reafirmou nesta segunda-feira, no discurso anual Estado da União, ao Congresso, que os Estados Unidos atravessam um "momento de incerteza" econômica, mas pediu aos cidadãos "confiança no crescimento" da economia. A atual crise nos EUA ameaça jogar a economia do país em uma recessão.

"Para construir um futuro próspero, temos de confiar às pessoas seu próprio dinheiro. Enquanto estamos aqui esta noite, nossa economia está passando por um momento de incerteza", afirmou.

Bush também falou de política externa e afirmou que o Irã "financia grupos terroristas" e que a "Al Qaeda está fugindo do Iraque". Ele também defendeu a criação do Estado palestino.

De acordo com Bush, os EUA criaram empregos por 52 meses seguidos. "Mas os empregos agora estão crescendo a um ritmo mais lento. Os salários subiram, mas também os preços de alimentos e a gasolina. As exportações estão crescendo mas o mercado imobiliário declinou. E nas mesas de cozinha de todo o país há preocupação sobre nosso futuro econômico", disse.

Tim Sloan/Reuters
Presidente George W. Bush durante seu último discurso anual do Estado da União
Presidente George W. Bush durante seu último discurso anual do Estado da União

No mês passado, a economia dos EUA gerou 18 mil empregos, enquanto a taxa de desemprego teve aumento, indo para 5%, contra 4,7% em novembro.

"No longo prazo, os americanos podem confiar em nosso crescimento econômico. Mas, no curto prazo, todos podemos ver que o crescimento está desacelerando", afirmou.

"Por isso, na semana passada, minha administração chegou a um acordo com a presidente da Casa [dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados, Nanci] Pelosi e com o líder republicano John Boehner sobre um sólido pacote de crescimento que inclui um alívio fiscal para indivíduos e famílias e incentivos para os investimentos das empresas".

Para Bush, "a tentação será sobrecarregar a lei [com alterações ou emendas, por exemplo]". "Isso iria atrasá-la ou desencaminhá-la, e nenhuma das duas opções é aceitável. Esse é um bom acordo que manterá nossa economia crescendo e nosso povo trabalhando. E o Congresso precisa aprová-la o mais rápido possível", defendeu.

Apesar do esperado pacote de alívio fiscal, anunciado por ele no último dia 18 e sobre o qual republicanos e democratas no Congresso chegaram a um acordo prévio na semana passada, Bush afirmou que o "Congresso deve saber que qualquer lei de aumento de impostos que chegar à minha mesa será vetada".

Para Bush, "os americanos devem equilibrar seus gastos, assim como o governo" e que "é preciso dar às pessoas o poder de ajudar a economia a crescer."

No sábado (26), Bush disse em seu pronunciamento semanal de rádio que, apesar da preocupação dos americanos com o risco de uma desaceleração da economia devido à instabilidade no mercado imobiliário, "os fundamentos para o crescimento a longo prazo permanecem sólidos".

O acordo preliminar sobre o pacote inclui medidas como restituições entre US$ 300 e US$ 1.200 e cortes de impostos. O pacote irá incluir ainda medidas para empresas, a fim de estimular novos investimentos --como a permissão, de imediato, uma dedução de 50% nos impostos sobre as compras de unidades de produção e outros bens de capital, informou na semana passada o diário americano "The Wall Street Journal".

Impostos

O presidente Bush aproveitou para cobrar do Congresso providência para tornar permanentes as reduções de impostos feitas nos últimos anos.

"Temos outro trabalho a fazer sobre os impostos. A menos que o Congresso aja, a maior parte do alívio fiscal que praticamos nos últimos sete anos será eliminado", afirmou.

E alfinetou: "Alguns em Washington dizem que deixar os cortes de impostos expirarem não é o mesmo que um aumento de impostos. Tentem explicar isso para 116 milhões de contribuintes americanos que veriam seus impostos crescerem em média em US$ 1.800", arrancando aplausos dos congressistas.

"Outros dizem que pessoalmente ficariam felizes em pagar impostos mais altos. Felicito esse entusiasmo e me alegro em dizer que a Receita aceita cheques e ordens de pagamento", brincou.

Segundo o presidente, "a maioria doa americanos acha que os impostos estão altos o suficiente". "Com todas as outras pressões sobre suas finanças, as famílias americanas não deveriam ter de se preocupar com o governo federal ficando com uma parte maior de seus salários".

Para Bush, "só há um meio de eliminar essa incerteza: tornar os cortes de impostos permanentes".

"Assim como confiamos nos americanos para que fiquem com seu próprio dinheiro, temos de ganhar confiança deles para gastar seu dinheiro de impostos com sabedoria. Na próxima semana, enviarei ao Congresso um orçamento que vai encerrar ou diminuir substancialmente 151 programas inchados e dispendiosos, que chegam a mais de US$ 18 bilhões", afirmou.

Segundo o presidente "esse orçamento vai manter os EUA no rumo para um superávit em 2012".

Fed

O Federal Reserve (Fed, o BC americano) também tem agido para tentar evitar que a economia caia em uma recessão. Na semana passada o Fed cortou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,50%. O corte foi o primeiro realizado fora de uma reunião regular do banco desde os atentados de 11 de Setembro.

Nesta terça e quarta-feira deve ocorrer a reunião regular do banco, com o anúncio da taxa de juros na quarta. A expectativa é por um novo corte (de 0,25 ponto percentual, segundo as estimativas mais moderadas, e de 0,50 ponto percentual para os analistas que esperam uma nova medida agressiva por parte do banco). No ano passado, o Fed reduziu a taxa de juros em três ocasiões consecutivas --setembro (0,50 ponto percentual); outubro (0,25 ponto percentual); e dezembro (0,25 ponto percentual).

Doha

O presidente afirmou ainda que "o crescimento depende agora das nossas exportações. Devemos conseguir um acordo de Doha neste ano".

"No comércio, temos de confiar na capacidade dos trabalhadores americanos de competir com qualquer um no mundo e capacitá-los abrindo novos mercados em outros países", afirmou.

Para ele, o "crescimento econômico [dos EUA] depende cada vez mais de nossa habilidade em vender bens, colheitas e serviços americanos ao mundo inteiro. Por isso estamos trabalhando para romper barreiras ao comércio e ao investimento onde for possível".

Bush afirmou que está trabalhando para uma rodada bem-sucedida em Doha. "Precisamos chegar a um bom acordo neste ano. Ao mesmo tempo, estamos buscando oportunidades para abrir novos mercados ao aprovar acordos de livre-comércio", disse.

Agricultura

O presidente Bush afirmou que vai comprar mais alimentos produzidos no exterior para ajudar produtores de países pobres. "Peço ao Congresso que apóie uma proposta inovadora para oferecer ajuda alimentar por meio de compras de safras diretamente dos agricultores nos países em desenvolvimento, para que possamos ajudar a produção agrícola local a quebrar o ciclo da fome", afirmou.

Colômbia

O presidente norte-americano voltou a pedir ao Congresso que a aprovação do Congresso a acordos comerciais pendentes, como os que envolvem a Colômbia e que contam com reticência por parte da oposição democrata.

Bush disse que os acordos de livre-comércio com o Peru (já aprovado) e com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul (ainda a serem aprovados) promovem os interesses estratégicos dos EUA, ao criarem empregos melhores e preços mais vantajosos.

"Se não conseguirmos passar o acordo (com a Colômbia), vamos estimular os fornecedores de falso populismo em nosso continente", afirmou, em alusão ao governo venezuelano. "Por isso, devemos nos unir, aprovar esse tratado e mostrar aos nossos vizinhos na região que a democracia origina uma vida melhor", acrescentou.

Petróleo

Bush voltou a enfatizar em seu discurso a necessidade de reduzir a dependência do país em petróleo. "Nossa segurança, nossa prosperidade e nosso meio ambiente requerem a redução de nossa dependência sobre o petróleo", afirmou.

Há tempos ele pede pelo desenvolvimento de outras fontes de energia. O presidente também defendeu medidas contra a mudança climática.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca