Desemprego em São Paulo fecha 2007 no menor patamar em 11 anos
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
Atualizada às 13h34
O desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 14,8% em 2007, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira. Trata-se da menor taxa verificada desde 1996 (quando ficou em 15,1%).
Em dezembro, a taxa foi de 13,5%, ante 14,2% em novembro. A taxa do mês foi a menor apresentada pelo índice desde fevereiro de 1996, quando foi de 13,8%.
Em dezembro de 2007, o contingente de desempregados foi estimado em 1,402 milhão de pessoas em São Paulo --68 mil a menos do que em novembro. O nível de ocupação (8,981 milhões) em São Paulo em dezembro cresceu 1,1% em relação ao mês anterior (8,884 milhões).
"O motivo da desaceleração da taxa de desemprego em dezembro foi o crescimento da ocupação, de 1,1%, com a criação de 97 mil vagas, muito superior ao número de pessoas que se apresentaram ao mercado de trabalho, de 29 mil", explicou Alexandre Loloian, coordenador de análise de Trabalho da Fundação Seade.
No comércio, a ocupação cresceu 2,4%, e em serviços elevou-se 1,7%. Já a indústria interrompeu uma seqüência de seis meses de crescimento ao registrar queda de 1,5%.
"Durante todo o primeiro trimestre, o emprego na indústria foi negativo. A partir de junho, começou a crescer. A taxa negativa é normal, porque a indústria dá uma freada após cumprir os contratos e abastecer o comércio", disse Loloian.
Segundo o Dieese e a Seade, o desemprego recuou nas três regiões em que o índice é apurado: na cidade de São Paulo (de 13,9% em novembro para 13,2% em dezembro), na Região do ABC (de 12,9% para 12,7%) e nos demais municípios (de 14,6% para 14%).
"A taxa de desemprego tem recuado mais fortemente na categoria demais municípios, por que, nessa região, o número de pessoas a procurar emprego e a pressionar a taxa é menor", disse Loloian.
Renda
Em São Paulo, o rendimento médio real dos ocupados e assalariados diminuiu entre outubro e novembro de 2007. A renda dos ocupados caiu 0,6%, para R$ 1.144, e a dos assalariados caiu 0,7%, para R$ 1.201.
Em relação ao ano anterior, os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados avançaram 2,1% e 2,3%, respectivamente.
Loloian destacou o contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que somaram 4,050 milhões em dezembro do ano passado, ante 3,785 milhões em igual período no ano anterior (alta de 7%).
"Na década de 90, o crescimento maior foi de vagas sem carteira e autônomos, enquanto as vagas com carteira registraram queda, uma característica de economia instável, em que as empresas têm dificuldade de prever o futuro e lançam mão de um recurso ilegal", disse o coordenador da Fundação Seade.
IBGE
Na última quinta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou taxa de desemprego de 9,3% nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil em 2007. O índice foi o menor da série desde março de 2002, quando a pesquisa foi iniciada em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.
Em linha com o que já havia informado o Ministério do Trabalho, o IBGE confirmou que a desocupação chegou a seu menor nível e a formalização (carteira assinada), ao maior.
Em dezembro, a taxa de desemprego desacelerou em relação ao mês anterior, ficando em 7,4%. Em relação a dezembro de 2006, houve queda de 1 ponto percentual no nível de desemprego. O resultado de dezembro também foi o menor para o mês desde 2002, quando a série da pesquisa do IBGE foi iniciada.
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