Dinheiro
30/01/2008 - 10h53

Risco de recessão nos EUA é de ao menos 50%, diz Greenspan

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da Folha Online
da Efe, em Berlim

O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Alan Greenspan avalia que o risco de recessão nos Estados Unidos é de "pelo menos 50%".

"Acho que a probabilidade de que haja uma recessão é de pelo menos 50%, mas até agora há poucos indícios de que já tenhamos entrado em uma", disse Greenspan, em entrevista ao semanário alemão "Die Zeit" que deve ser publicada na quinta-feira, segundo a agência de notícias Efe.

O ex-presidente do Fed considera "pouco provável" que os presidentes dos bancos centrais e outros responsáveis por políticas orçamentárias possam impedir uma recessão.

"A influência da economia mundial é hoje muito mais forte que quase tudo o que possam fazer na política monetária ou fiscal para combatê-la", acrescenta.

Mesmo considerando "pouco provável" que uma recessão nos Estados Unidos cause uma recessão global, ele parte da base que o crescimento global "se desacelerará visivelmente".

A previsão de desaceleração global também foi feita ontem pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). O Fundo informou ontem, ao divulgar uma atualização do relatório "World Economic Outlook" (Perspectivas para a Economia Mundial), que a economia mundial deve crescer 4,1%, contra 4,9% estimados para 2007. A desaceleração deve ser causada pela perda de força nos EUA.

A economia norte-americana, no entanto, conseguirá evitar uma recessão, segundo o Fundo: a expectativa é de um crescimento de 1,5%, abaixo dos 2,2% de crescimento estimados para 2007. Em outubro do ano passado, o Fundo havia divulgado uma expectativa de crescimento de 1,9% para os EUA em 2008.

Fed e governo vêm agindo para tentar evitar uma recessão. O banco deve anunciar hoje um novo corte em sua taxa de juros (depois do que foi efetuado na semana passada, de 0,75 ponto percentual, em decisão fora do calendário regular). A taxa está hoje em 3,5% e a expectativa é de um corte de ao menos 0,25 ponto percentual (mas não está descartada a possibilidade de um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual).

O governo, por sua vez, obteve na Casa dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) a aprovação para um pacote de alívio fiscal, estimado em US$ 146 bilhões (ou cerca de 1% do PIB americano), a fim de estimular o consumo no país e os investimentos em produção.

 

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