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Dinheiro
30/01/2008 - 14h22

Para analistas, embargo da UE à carne brasileira é protecionista; preço deve cair

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Analistas ouvidos pela Folha Online criticaram o embargo da UE (União Européia) à carne brasileira, apontando um viés protecionista, e confirmaram que o preço da carne deve cair nos próximos dias no mercado local.

"O que eles querem efetivamente é limitar as exportações brasileiras, porque os produtores locais, por uma série de questões estruturais, não têm competitividade", diz o consultor da AgraFNP, José Vicente Ferraz.

O analista do mercado agropecuário Daniel Dias, da Dias & Aguirre Consultoria, lamenta que o Brasil não consiga reverter o "círculo vicioso" de embargos ao produto nacional e critica a falta "eficácia política" aos esforços do governo e lideranças do setor agropecuária para resolver o problema.

"Eles têm um nível de rastreabilidade do gado lá que é praticamente impossível para a gente por aqui. No Brasil, é comum um pecuarista com 10 mil cabeças de gado. Lá, um grande pecuarista tem cem cabeças de gado. Na Europa, o criador chama a vaca pelo nome", afirma.

"Precisamos entrar em um acordo sobre um nível de rastreabilidade viável. Somos um dos maiores mercados produtores do mundo de carne. Agora, temos que virar o mando de jogo. Não podemos ficar à mercê desses embargos", acrescenta Dias.

O consultor da AgraFNP José Vicente Ferraz espera que o embargo da União Européia à carne brasileira posse ser revertido nos próximos meses. Ele acredita que, com o aumento do preço da carne para o consumidor europeu, novas forças políticas podem se elevar para combater a medida da UE.

"O que nós vimos até agora foi o lobby dos produtores locais. Na medida em que começar a ter impacto no bolso dos consumidores, a afetar os distribuidores de carne, vai haver uma força política contrária [ao embargo]", afirma o consultor.

Para o consultor, o governo brasileiro ficou numa "situação vexatória" e a União Européia, numa "situação complicada" com o embargo. No caso do Brasil, porque o governo arcou com os custos e o desgaste de uma verdadeira em milhares de propriedades rurais. E no caso dos europeus, que devem ser pressionados a rever a decisão.

Para ele, é possível que a União Européia opte por uma flexibilização da medida, após fazer uma inspeção pelas propriedades brasileiras. "A questão é que outros produtores brasileiros vão ficar interessados. E o número de 2.300 fazendas pode subir para 5.000 muito rapidamente", diz ele.

Preço da carne

O analista Daniel Dias espera que o preço da carne caia como resultado do embargo europeu. "Quando você fecha um canal de distribuição, você restringe a demanda e deve afetar os preços", avalia. "O ciclo de baixa [dos preços], por causa do excesso de chuvas, de gado no pasto, neste momento, com certeza se acentua. Agora, por quanto tempo e quanto os preços vão cair, isso não é possível dizer", complementa.

"O preço da carne, com certeza, vai cair no Brasil. Num primeiro momento, vai até cair bastante, mas depois que 'baixar a poeira', o preço retorna um pouco", afirma José Vicente Ferraz, da AgraFNP.

Comentários dos leitores
Pedro Frota (1) 04/03/2008 19h37
Pedro Frota (1) 04/03/2008 19h37
O Ministro da Agricultura, Reinhold, e seu acessor Inácio Kroetz, só estão fazendo besteiras em cima de besteiras!
O número de fazendas que poderiam ter sido mandadas, 300, eu que eles mandaram 3000, foi o cúmulo da incompetencia e despreparo.
Se fosse num país sério o presidente teria exonerado os dois!
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ANDERSON FÁVERO (5) 29/02/2008 17h27
ANDERSON FÁVERO (5) 29/02/2008 17h27
No momento em que o Brasil aceitou este imposição de apenas estas fazenda poderem exportar para o mercado comum europeu, nada impede que outros paises, tambem o façam, nada mais justos se outros criadores cumprirem as leis internas, de poderem ter o mesmo tratamento. 1 opinião
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Felipe Sabadin (1) 28/02/2008 07h51
Felipe Sabadin (1) 28/02/2008 07h51
PIRACICABA / SP
quer dizer que, essas 300 fazendas que foram escolhidas pela UE, para que elas possam atender a demanda de carne bovina para exportar, será necessário que elas compre mais gado.
Para isso tera que comprar de outros produtores, mas isso não pode ocasionar um desequilibrio no mercado interno?
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