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Dinheiro
30/01/2008 - 17h41

Agricultura considera "injustificável" embargo da UE sobre carne

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O Ministério da Agricultura considerou a decisão da União Européia de suspender as importações de carne bovina brasileira "injustificável e arbitrária". Além disso, pediu transparência da Comissão Européia (braço executivo da União Européia) no que refere-se aos critérios que serão adotados pela auditoria que será feita pelos europeus no Brasil no final de fevereiro.

A decisão foi tomada após autoridades européias e brasileiras não conseguirem chegar a um acordo sobre o número de fazendas que poderiam receber certificação para vender o produto ao bloco. O Brasil indicou cerca de 2.600 propriedades das 10 mil que estão registradas no país. A União Européia, porém, quer restringir esse número a apenas 300.

Assim, os europeus se recusaram a publicar a lista de empresas no Diário Oficial do bloco --como estava previsto no cronograma de entendimento sobre o comércio de carne acertado no ano passado--, e na prática as importações ficam proibidas, já que nenhuma fazenda brasileira possuirá autorização para exportar.

A decisão européia é injustificável e arbitrária. (...) O governo brasileiro mantém sua posição de que a medida é desnecessária, desproporcional e injustificada, à luz dos problemas identificados no sistema de rastreabilidade e da comprovada ausência de risco à saúde humana e animal", diz nota divulgada no final da tarde desta quarta-feira pelo ministério brasileiro.

Joel Silva/Folha Imagem
Com embargo da UE, Marfrig, JBS e Independência focam mercado interno
Com embargo da UE, Marfrig, JBS e Independência focam mercado interno

O Ministério da Agricultura alega que a inspeção realizada pela União Européia, em novembro, não identificou nenhuma falha no controle sanitário brasileiro e apenas apontou não conformidades no sistema de rastreamento de gado (o chamado Sisbov).

O ministério espera que "em breve" os embarques da carne bovina "in natura" para os países que fazem parte do bloco econômico europeu sejam retomados, mas isso não deverá ocorrer antes do final de fevereiro. Isso porque no dia 25 do próximo mês uma delegação européia irá auditar o sistema de defesa sanitária brasileiro e escolher as 300 fazendas que poderão exportar.

Ainda por meio de nota, sobre a fiscalização nas fazendas do país, o ministério afirma que é necessário maior transparência para que se possa chegar a um consenso.

"A fim de que os entendimentos nessa área possam prosseguir é necessário que a Comissão Européia garanta transparência e previsibilidade quanto às próximas etapas para o retorno à normalidade do relacionamento comercial no setor de carnes bovina "in natura", uma vez que os critérios a serem adotados pelo bloco europeu para seleção das propriedades ainda não foram definidos."

Repercussão

A empresas JBS e Marfrig, duas entre as maiores produtoras de carne bovina do Brasil, disseram que por conta da suspensão da importação do produto pela União Européia anunciada hoje, o foco no mercado interno irá aumentar.

Maurilio Cheli/AP
Comissário da UE diz esperar retomada da compra de carne do Brasil em breve
Comissário da UE diz esperar retomada da compra de carne do Brasil em breve

Em nota, a JBS destaca que já esperava o problema. Em 2008, a previsão da empresa é que as exportações para o bloco fiquem em apenas 25% do volume total exportado em 2007 de carne "in natura". A empresa, porém, acredita que outros países absorverão parte do volume que seria destinado para a Europa, e que o excedente será destinado ao mercado interno.

A Marfrig, por sua vez, anunciou que as suas nove unidades de abate de bovinos no Brasil terão sua produção de carne "in natura" direcionada à exportação para outros destinos que não a União Européia. "A empresa também focará no fortalecimento do mercado doméstico e não diminuirá o ritmo de sua produção", afirmou em nota.

Para analistas do setor, a decisão tem forte viés protecionista "O que eles querem efetivamente é limitar as exportações brasileiras, porque os produtores locais, por uma série de questões estruturais, não têm competitividade", diz o consultor da AgraFNP, José Vicente Ferraz.

O analista do mercado agropecuário Daniel Dias, da Dias & Aguirre Consultoria, disse por sua vez esperar que o preço da carne caia como resultado do embargo europeu. "Quando você fecha um canal de distribuição, você restringe a demanda e deve afetar os preços", avalia. "O ciclo de baixa [dos preços], por causa do excesso de chuvas, de gado no pasto, neste momento, com certeza se acentua. Agora, por quanto tempo e quanto os preços vão cair, isso não é possível dizer", complementa.

As exportações de carne bovina do Brasil somaram US$ 4,5 bilhões em 2007, 15% a mais do que no ano anterior, segundo dados divulgados pela Abiec (Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne). Só para a UE, as vendas chegaram a US$ 1,5 bilhão --o bloco é o maior comprador do Brasil, que por sua vez é o principal fornecedor da UE.

Comentários dos leitores
Pedro Frota (1) 04/03/2008 19h37
Pedro Frota (1) 04/03/2008 19h37
O Ministro da Agricultura, Reinhold, e seu acessor Inácio Kroetz, só estão fazendo besteiras em cima de besteiras!
O número de fazendas que poderiam ter sido mandadas, 300, eu que eles mandaram 3000, foi o cúmulo da incompetencia e despreparo.
Se fosse num país sério o presidente teria exonerado os dois!
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ANDERSON FÁVERO (5) 29/02/2008 17h27
ANDERSON FÁVERO (5) 29/02/2008 17h27
No momento em que o Brasil aceitou este imposição de apenas estas fazenda poderem exportar para o mercado comum europeu, nada impede que outros paises, tambem o façam, nada mais justos se outros criadores cumprirem as leis internas, de poderem ter o mesmo tratamento. 1 opinião
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Felipe Sabadin (1) 28/02/2008 07h51
Felipe Sabadin (1) 28/02/2008 07h51
PIRACICABA / SP
quer dizer que, essas 300 fazendas que foram escolhidas pela UE, para que elas possam atender a demanda de carne bovina para exportar, será necessário que elas compre mais gado.
Para isso tera que comprar de outros produtores, mas isso não pode ocasionar um desequilibrio no mercado interno?
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