BC indica que pode elevar juros se pressão inflacionária persistir
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
Atualizada às 10h38
As incertezas em relação à trajetória de inflação e a crença de que os investimentos feitos na indústria ainda precisam se consolidar fizeram o Banco Central sinalizar uma elevação de juros, caso as projeções para a inflação fiquem fora da trajetória de metas.
Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária), destacando a inflação, decidiu manter a taxa básica de juros em 11,25% ao ano --a terceira manutenção consecutiva.
"Mesmo considerando que, no momento, a manutenção da taxa básica de juros é a decisão mais adequada, o comitê reitera que está pronto para adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas", alerta do comitê na ata de sua última reunião, divulgada hoje.
Além disso, o Banco Central afirma temer que alguns setores econômicos não sejam capazes de atender a um possível de aumento de demanda e, dessa forma, ocorra um repasse de preços do atacado para o consumidor. No entanto, a autoridade monetária não detalha em quais segmentos estariam concentrados esses riscos.
Na avaliação do Copom, houve uma deterioração no balanço dos riscos inflacionários em um momento de economia aquecida. Com isso, está maior o risco para a "concretização de um cenário inflacionário benigno", ou seja, dentro da meta de inflação estipulada pelo governo, que é um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,5%.
O documento lembra ainda que as exportações têm contribuído menos para o controle de inflação, já que alguns dos setores da economia que estão aquecidos --e que neles pode ocorrer um reajuste de preços-- não estão submetidos à concorrência externa.
"A contribuição do setor externo para um cenário inflacionário benigno, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, pode estar se tornando menos efetiva, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar."
A ata explica que são três os elementos que o Copom avalia para evitar uma trajetória de inflação instável: projeções de inflação, balanço de riscos e ações preventivas por parte do Copom. Dos três, considerou a prudência como o fator mais importante no momento.
"A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração dos balanço de riscos inflacionários", afirma o documento.
Sobre o cenário externo, afirma que é maior o risco de uma desaceleração da economia global e que são duas as conseqüências para o Brasil. De um lado, a redução das exportações reduziria as importações e possivelmente os preços de commodities, o que teria um efeito positivo para a inflação brasileira. Por outro lado, poderia ocorrer uma aversão ao risco.
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