Risco de desaceleração da economia mundial está maior, avalia BC
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central acredita que está maior o risco de uma desaceleração da economia mundial. Essa avaliação é decorrente das recentes conseqüências da crise dos "subprimes" (créditos imobiliários de alto risco dos EUA). Além disso, a autoridade monetária avalia que as conseqüências para o Brasil poderão ocorrer de duas formas: um impacto positivo sobre a inflação e, por outro lado, a elevação da aversão ao risco.
"As incertezas em relação à evolução da economia internacional seguem elevadas, em ambiente de continuidade dos distúrbios nos mercados imobiliários, elevação dos preços das commodities e persistência das restrições nos mercados de crédito. Os riscos de desaceleração global são crescentes, reforçados pelas revisões para baixo nas previsões de crescimento para 2008", afirma a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta quinta-feira.
Apesar desse risco, o comitê não vê, nesse momento, riscos para o financiamento externo da economia brasileira, ou seja, o balanço de pagamentos não deve comprometer a trajetória inflacionária. Esse balanço reflete as movimentações de recursos feitas com o exterior --no ano passado, essa conta ficou positiva em US$ 87,484 bilhões.
Na avaliação do Copom, uma maior desaceleração da economia mundial poderá reduzir as exportações brasileiras. Isso seria um fator positivo, já que contribuiria para uma menor inflação no país. A mesma contribuição daria uma redução no preços das commodities exportadas pelo Brasil, como soja e minério de ferro.
Por outro lado, essa desaceleração poderia afetar negativamente as perspectivas de inflação devido a uma maior aversão ao risco, que reduziria a demanda por ativos brasileiros --como títulos públicos-- determinando uma depreciação em seus preços. Lembra ainda que, no médio prazo, a redução das exportações causaria problemas nos preços de alguns ativos brasileiros.
"Dessa forma, ainda que permaneçam em linhas gerais consistentes com a trajetória de metas, as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza, e aumentou o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a manutenção dos resultados favoráveis obtidos nos últimos anos", afirma o documento.
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