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Dinheiro
31/01/2008 - 11h27

Crise hipotecária americana atinge de leve lucro dos bancos japoneses

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JUAN PALOP
da Efe, em Tóquio

Os principais bancos japoneses anunciaram nesta quinta-feira que a crise de hipotecas de alto risco ("subprime") provocou reduções milionárias em seus lucros, apesar de o setor financeiro japonês ter afirmado que sua exposição era mínima.

Os três maiores bancos do Japão declararam esta semana perdas conjuntas de 499 bilhões de ienes (US$ 5,187 bilhões) entre abril e dezembro relacionadas com as hipotecas subprime dos Estados Unidos.

Essa quantia, mesmo inferior aos prejuízos registrados pelos setores financeiros nos EUA e na Europa, representa uma queda de aproximadamente um terço do lucro líquido combinado previsto pelas três instituições para todo o ano fiscal de 2007, que termina em março.

O grupo financeiro Mitsubishi UFJ, o maior banco por ativos do país, informou hoje que lucrou 54,4% menos de abril a dezembro de 2007 em relação ao mesmo período do ano anterior, a 314,656 bilhões de ienes (US$ 2,948 bilhões).

As duas outras grandes instituições financeiras japonesas, os grupos financeiros Mizuho e Sumitomo Mitsui, também viram seus resultados fortemente afetados pelo terremoto financeiro internacional com epicentro no setor imobiliário americano.

O Mizuho divulgou que seu lucro líquido diminuiu 32,2% entre abril e dezembro, quintuplicando suas perdas por essa razão, enquanto o Sumitomo Mitsui registrou perdas de 19,3% no mesmo período.

O setor bancário japonês, tradicionalmente conservador e com aversão a risco, tinha reiterado por várias ocasiões desde agosto, quando começou a tempestade financeira, que sua exposição à crise hipotecária era ínfima.

De fato, a maior parte das perdas dos bancos japoneses não está vinculada diretamente às hipotecas subprime, segundo seus relatórios empresariais, mas está ligada a outros produtos financeiros mais complexos que incorporavam esse tipo de crédito como ativos secundários.

Os efeitos da crise não estão se estendendo a outros setores da economia japonesa, como acontece nos EUA, onde as dificuldades estão começando a prejudicar, entre outras, as companhias seguradoras de bônus, chamadas "monolines", e a arrefecer o consumo doméstico em geral.

Além disso, os prejuízos nos bancos japoneses não se comparam às perdas multibilionárias internacionais do setor como as de Citigroup, UBS, Morgan Stanley e Merrill Lynch.

Alguns bancos japoneses viram na crise financeira global e na falta de liquidez de muitas outras entidades uma oportunidade de ampliar sua participação de mercado em outras economias e de estender sua influência.

O Mizuho vai comprar ações preferenciais da Merrill Lynch por US$ 1,2 bilhão e será a primeira participação de um banco japonês em uma entidade bancária americana desde a explosão da bolha econômica japonesa no início dos anos 1990.

O Merrill Lynch, em meio às perdas causadas pela divisão creditícia, se viu obrigada a recorrer a uma injeção em massa de capital de várias entidades financeiras privadas e de fundos soberanos.

A participação do Mizuho, no entanto, continuará sendo minoritária na grande investidora, já que caso troque suas ações preferenciais por títulos normais, seu valor não alcançaria 2,5% do total do banco.

As incertezas sobre a macroeconomia internacional podem acabar afetando o Japão, que se achava imerso em um processo de liberalização de seu mercado financeiro.

Tóquio empreendeu a liberalização progressiva de vários setores econômicos no começo deste ano, com a da bolsa, visando a melhorar a competitividade do Japão diante da crescente presença internacional de outros atores, como a China.

 

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