Ministro diz que errou ao prever inflação menor para 2009
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A elevação das expectativas de inflação fez o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) admitir que pode ter se equivocado ao defender, no ano passado, uma meta de inflação de 4% para 2009.
"Tivemos uma discussão acalorada sobre isso na época. Eu era favorável a 4% e aparentemente eu estava errado", afirmou nesta quinta-feira.
Em junho do ano passado, o CMN (Conselho Monetário Nacional) estabeleceu em 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) o centro da meta de inflação. Bernardo, que tem voto no conselho, defendia 4%. Os outros membros são o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Questionado sobre a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que sinalizou que o BC pode elevar os juros se as pressões inflacionárias persistirem, Bernardo afirmou que não é atribuição do ministro do Planejamento estabelecer as taxas de juros, hoje em 11,25% ao ano. E aproveitou para defender o trabalho da autoridade monetária.
"Eu tenho certeza que o BC vai continuar a fazer o trabalho que vinha fazendo de forma tranqüila, consistente e boa. E os cornetas vão continuar falando. Isso é democrático", disse ele, sem deixar claro quem são os "corneteiros".
Sobre as turbulências no mercado internacional, ele afirmou que o importante é acompanhar com atenção esses movimentos e, internamente, manter o equilíbrio fiscal, lembrando que no Brasil a inflação está controlada e o país tem crescido, com investimento em um ritmo maior que o consumo.
"Nós temos um quadro muito bom. Temos que acompanhar com atenção. Temos que fazer a nossa parte, inclusive mantendo o equilíbrio fiscal."
Leia Mais
- BC indica que pode elevar juros se pressão inflacionária persistir
- Restrição em alguns setores podem causar aumento de preços, diz BC
- Risco de desaceleração da economia mundial está maior, avalia BC
- BC aposta que preço da gasolina não irá subir em 2008
- Mercado eleva previsões de inflação para 2008
- Analista vê chance de juros menores somente no segundo semestre
Especial

